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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Bancários registram perdas com acordo Funcionários do Bandepe ficaram insatisfeitos Cláudia Santos O fechamento do acordo entre o governo e funcionários do Banco do Estado de Pernambuco, que pôs fim a uma greve de quatro dias na quinta-feira, não deixou todos os empregados satisfeitos. Pelo menos 30% deles, com salários acima de R$ 1,4 mil, contabilizam perdas financeiras com o pagamento dos dissídios trabalhistas, reajustados em 8%. Para quem tem renda salarial abaixo de R$ 1 mil houve mais vantagem. Na conta do banco, a solução para o pagamento dos débitos, reajustes salariais e plano de demissão incentivada foi um bom negócio. Ficou R$ 1 milhão abaixo do que tinha sido reservado no planejamento dos gastos do empréstimo de R$ 920 milhões pelo governo federal. No grupo dos empregados que tiveram perdas com o acordo estão os gerentes, chefes de divisão e todo o pessoal do segundo e terceiro escalão, somando aproximadamente 500 pessoas. Pelas projeções feitas por alguns deles, as perdas variam de R$ 1,2 mil, para salários médios de R$ 1,6 mil, R$ 5, mil par quem ganha em média R$ 2,6 mil e 11 mil para remunerações de R$ 4,1 mil. Nesses cálculos constam o passivo trabalhista de setembro de 96 até abril deste ano, 13º salário, férias e verbas rescisórias. O clima entre esses empregados é de insatisfação e desestímulo, segundo um deles. De acordo com um funcionário do segundo escalão, só houve vantagem para quem tem salários médios de até R$ 1,2 mil. O benefício foi maior para quem ganha até R$ 700 que teve até lucro, com o abono de R$ 2,5 mil, maior do que o que lhes era devido. Todos os empregados ativos e aposentados tiveram abono idêntico, sem considerar a faixa salarial. O reajuste concedido foi metade dos dois dissídios coletivos dos bancários que somam 16,34%. Nas cláusulas não financeiras, os empregados conseguiram garantir estabilidade proporcional mesmo após a privatização do Bandepe. O artifício obriga o governo a garantir os benefícios do plano de demissão incentivada para quem for aproveitado pela instituição que venha a comprar o Bandepe e seja demitido posteriormente. O pagamento é proporcional e válido por 24 meses. O governo se saiu bem na negociação, já que tinha previsão de gastar até R$ 60 milhões com o passivo trabalhista e concessão de demissão incentivada. A conta ficou em R$ 59 milhões, também bem inferior às primeiras simulações de gastos com passivos trabalhistas, no início do processo de privatização, provisionado em R$ 90 milhões. Essa provisão contábil já foi alterada várias vezes, dentro do orçamento dos gastos dos R$ 920 milhões que será financiado para o governo estadual privatizar o Bandepe, o que deve ocorrer em julho deste ano. Apesar de não ter perdido com o acordo, o banco teve prejuízos com a greve não revelados pela direção. O maior prejuízo com o fechamento de agências e postos de serviços ocorreu na compensação bancária. |
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