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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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O fogo é nosso PANORAMA ECONÔMICO O país falhou com Roraima. Três meses se passaram entre o dia em que o governo foi avisado da tragédia e o da reunião do Conselho de Defesa. O assunto demorou a entrar na pauta da imprensa, e só agora chega às manchetes. A BBC já estava com enviado especial no local e a televisão brasileira dava apenas curtos flashs. O Exército acha que ajuda internacional ameaça a soberania. O ministro do Meio Ambiente nem foi ao local. Roraima é longe. O país é o mesmo, mas existe perto e longe. O Rio é perto. Por isto o Palace II mobilizou instantaneamente o país. Tinha mesmo que mobilizar, porque é uma tragédia. Da mesma forma que o incêndio que se estende por 400 km de Roraima. Há uma semana, a Argentina parecia mais mobilizada pelo assunto do que o Brasil e por isto foi a primeira ajuda externa a chegar ao local. Outras talvez nem cheguem. As embaixadas estão acanhadas. Temem ferir susceptibilidades nacionais com ofertas que podem ser entendidas como ingerência. "O fogo é nosso", parece querer dizer o Exército, com sua reação inteiramente descabida. Para acalmar o fogo nacionalista que queima alguns militares, pode-se lembrar que o secretário de assuntos humanitários da ONU, interlocutor neste caso, é um brasileiro: Sérgio Vieira de Mello. Claro que nem toda oferta de ajuda tem a mesma qualidade. Os aviões Antonov russos foram oferecidos por uma empresa meio fantasma, que queria US$ 1 milhão de depósito antecipado e cobrava por hora. O ministro Gustavo Krause não foi ao local, explicou-me ontem uma autoridade, porque o governo não quer tratar o assunto como erro de gestão ambiental, mas sim como um desastre natural. As autoridades trataram o tema com a mesma leveza com que reagem ao avanço das madeireiras da Malásia na floresta. O Conselho de Defesa concluiu que houve não um erro de ação governamental, mas apenas uma falha de comunicação social. Nos últimos dias, o país acordou para o problema. O Conselho de Defesa avisou aos conselheiros que focos de incêndio semelhantes podem surgir em outros pontos do país, como, por exemplo, nas fronteiras agrícolas de Mato Grosso. Bem mais perto. Derivando Do ministro Pedro Malan respondendo a uma pergunta sobre enxurrada de dólares: - Na verdade, a derivada segunda está menor do que a primeira. Quando viu a perplexidade, corrigiu-se: - O que eu quero dizer é que a entrada de dólares continua aumentando, só que em menor velocidade. Isso porque o ministro não tinha visto a derivada segunda de ontem. Disputa Na disputa pelo trabalho de reestruturar a siderurgia da Previ, o Chase foi o escolhido pelo comitê técnico como a melhor proposta. Mesmo assim, a diretoria do fundo de pensão está dividida. Compra Dois grupos estrangeiros estiveram no Brasil conversando com a Café Selecto. Um quer comprar e o outro admite entrar de sócio. Conversas É de R$ 110 milhões o fundo de cotas que o Bozano, Simonsen está organizando para levantar o parque Terra Encantada. Dos fundos de pensão que conversaram, Aeros, Sistel e Petros já desistiram. A Previ ainda estuda sem muito entusiasmo e o fundo do Serpro é o mais propício a entrar no negócio. Uma solução para o acordo seria dar como garantia terrenos na Barra, hipótese que os controladores do parque ainda não aceitam. Desemprego O Ministério da Fazenda avisa que o desemprego cresceu em fevereiro. O do Trabalho está mais otimista e acha que se subiu foi pouco. Bônus Será que a diretoria da Paranapanema vai receber bônus este ano pelo prejuízo de R$ 347 milhões? Ano passado o prejuízo garantiu um gordo prêmio. Megafluxo O Brasil recebeu ontem mais de US$ 2 bilhões. Um volume totalmente surpreendente para um único dia. Parte do dinheiro é privatização da banda B, parte é resultado da venda dos Global Bonds, e parte é 63 caipira querendo se aproveitar dos últimos momentos das regras antigas. Há uma confusão na redação da resolução do CMN que dá a impressão de que até operações já autorizadas enfrentariam a mesma barreira. O tamanho desta entrada num único dia espantou o mercado. Temperatura máxima Nas últimas horas aumentou muito a tensão no Paraguai. Os principais chefes militares avisaram que não aceitam o general Lino Oviedo como presidente, e conseqüentemente como comandante-em-chefe das Forças Armadas. Duzentos oficiais ligados a Oviedo foram postos na reserva compulsoriamente. Teme-se que voltem, caso ele ganhe as eleições marcadas para o dia 10 de maio. E Oviedo continua na frente, nas pesquisas eleitorais. Com a decisão de ontem da Suprema Corte de considerar válida a candidatura de Oviedo, a Justiça Militar teme uma decisão que invalide sua condenação. Os militares acham que isto desmoralizaria a Justiça Militar. |
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