BOA VISTA - A maior polêmica envolvendo a questão das queimadas em Roraima diz respeito à possibilidade de a ajuda internacional para apagar o fogo se constituir numa ameaça à soberania nacional. O governador do estado, Neudo Campos, surpreendeu ontem ao adotar um discurso diferente do que é usado tanto pelo general Edmundo Carvalho, que comanda a operação, quanto pelo comandante militar da Amazônia, general Luiz Gonzaga Lessa. Para o político, não faz diferença de onde vem a ajuda, desde que ela venha."Precisamos de homens treinados e equipamentos modernos. Não faço distinção se os homens nasceram no Brasil ou em qualquer outro lugar", afirmou o governador, ressaltando a agilidade com que a Argentina enviou 120 homens e quatro helicópteros para Roraima.
Indagado sobre o posicionamento dos militares, que estão tratando o combate ao fogo como uma questão de soberania nacional, Neudo disse que sua atitude ficou clara quando foi consultado pelo embaixador do Brasil na Argentina, Seixas Corrêa, sobre a aceitação de ajuda daquele país."Aceitamos imediatamente. Isto mostra que minha grande preocupação é apagar o incêndio". Neudo deu entrevista ontem para jornalistas do Brasil e do exterior no aeroporto de Boa Vista. Ele deveria ter chegado de Brasília ontem à noite, mas a interdição do aeroporto, por causa da fumaça, atrasou a chegada. Após a entrevista, ontem pela manhã, ele rumou de helicóptero para o município de Mucajaí, o mais atingido pelo fogo, onde pretendia passar a noite.