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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Bispo exige punição BRASÍLIA - O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raimundo Damasceno, cobrou ontem do governo uma política de reforma agrária corajosa e criativa para evitar atos de violência como a morte de mais dois sem-terra, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, conhecidos por Fusquinha e Doutor, no sul do Pará. O religioso exigiu a apuração do crime e a punição dos responsáveis. Fusquinha e Doutor eram sobreviventes do massacre de Eldorado do Carajás, em abril de 1996, quando policiais militares assassinaram 19 sem-terra. "Rechaçamos a violência para solução de qualquer conflito", protestou dom Damasceno, ao lamentar mais essas mortes. "A Igreja pede a condenação sem estar movida por um sentimento de vingança", disse o presidente da Cáritas Brasileira, órgão da CNBB, dom Demétrio Valentini. A punição é, segundo ele, necessária, para evitar novos casos. "Lamentavelmente, o governo não aprendeu a lição", afirmou, lembrando que o massacre de Eldorado teve repercussão internacional e, mesmo assim, os assassinos ficaram impunes. Dom Demétrio reconhece que o governo e até a Igreja precisam dar uma maior atenção ao sul do Pará. "A lei do mais forte é que vale naquela região", observou, condenando o uso de armas para resolver os conflitos sociais. A área de maior conflito agrário no país, segundo ele, convive com séculos de atraso em termos de civilização. Na opinião de dom Demétrio, o governo deve buscar uma política de reforma agrária mais eficiente e investir em educação. |
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