|
|
| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
|
|
Líderes do MST são mortos no Pará Fazendeiros executaram os sem-terra com a suspeita de terem sido acobertados por policiais militares BELÉM - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no sul do Pará, Onalício Barros Araújo, o Fusquinha, e o tesoureiro da entidade, Valentim Silva Serra, foram mortos a tiros por dois fazendeiros, em Parauapebas, sul do Pará. Carlos Antônio Costa e outro fazendeiro, identificado apenas como Donizete, comandavam um grupo de trinta seguranças armados que chegou à fazenda Goiás Dois no momento em que estava sendo cumprida uma liminar de reintegração de posse. Há cerca de 20 dias 520 famílias ocupavam a área. Costa é o dono da terra e a PM teria participado. FERIDOS Os seguranças feriram dois outros sem-terra, que estão internados num hospital de Parauapebas. Onalício foi atingido por três tiros, um deles na cabeça. Valentim foi atingido por dois disparos no peito. Os fazendeiros Costa e Donizete, foragidos, estão sendo procurados em todo o sul do Pará. Segundo o delegado Vicente de Paulo Costa, superintendente da Polícia Civil na região, os acusados estariam escondidos em fazendas de amigose podem ser presos "a qualquer momento". AUTORIZAÇÃO Um sargento e oito policiais militares de Parauapebas que acompanhavam dois oficiais de Justiça durante a ação de despejo participaram da operação, sem autorização do comandante. Em Belém, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fabiano Lopes, determinou a prisão de todos os militares e a abertura de processo administrativo. Segundo Raimundo Nonato Coelho de Souza, da direção do MST em Marabá, o fazendeiro Carlos Antônio Costa é um homem muito violento. "Ele vinha fazendo ameaças aos sem-terra e aos coordenadores do MST", disse Souza. A desocupação, disse o líder, estava sendo cumprida de maneira pacífica pelos lavradores. O MST garante que os policiais militares estavam encapuzados e escondiam seus nomes. Além disso, nada fizeram para prender os criminosos. "A PM é o braço armado do latifúndio no Pará", disse Souza. |
|