Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Arraes pode recorrer a ACM

Líder pefelista deve ser peça chave para que o Senado dê o aval à liberação do adiantamento da Celpe

O governador Miguel Arraes e sua equipe já estão montando a estratégia política para assegurar que os recursos relativos à privatização da Celpe cheguem a Pernambuco o mais rápido possível. Mesmo com a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) de condicionar o empréstimo ao aval do Senado Federal e do Banco Central. O primeiro passo é buscar a simpatia do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL). O próprio Arraes poderá se mobilizar no sentido de conversar com o senador baiano. E também deverá pedir ajuda a Carlos Wilson (PSDB).

A situação é delicada porque o senador tucano é candidato ao governo do estado, devendo enfrentar Arraes como adversário nesta disputa. Mas para os arraesistas, Carlos Wilson não vai se recusar a cumprir essa missão, até porque, se assim agisse, estaria contrariando toda a sua propaganda eleitoral, que está sendo pautada pela responsabilidade com os problemas do estado. Por outro lado, Wilson apóia a privatização da Celpe e seria incoerente não trabalhar pela sua viabilização.

PARECER

Enquanto o Palácio das Princesas analisa qual o melhor caminho a seguir, o secretário do Planejamento, João Recena, encontra-se em Brasília, estabelecendo negociações com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, com vistas a agilizar o processo de tramitação, no Banco Central, da autorização necessária para que o dinheiro seja liberado. É que o Banco Central terá que emitir um parecer sobre a operação, e só depois a matéria será encaminhada ao Senado. A presença de Recena em Brasília revela que o governo do estado trabalha com a possibilidade de submeter a operação ao Senado e ao Banco Central. "Não temos dúvida de que a operação será aprovada em Brasília", disse, ontem, o secretário de Governo, Dilton da Conti. "Mas ainda vamos resolver se queremos esperar, pelo menos 25 dias, para a sua tramitação".

Segundo apurou o DIÁRIO, existe uma compreensão dentro do governo de que não há mais nada a fazer para mudar a resolução do TCU - que na última quarta-feira determinou que a antecipação dos recursos das privatizações do setor energético, pelo BNDES, passassem pelo crivo do Banco Central e do Senado. Assim, se optar por continuar buscando a antecipação do dinheiro através do BNDES, os esforços do governo estadual devem se concentrar no BC e no Senado.   

BUROCRACIA

Segundo informou um assessor do Palácio das Princesas, o governador Miguel Arraes tem a convicção de que os recursos da Celpe serão liberados, restando apenas saber quando isso ocorrerá. Seu empenho é no sentido de evitar que a burocracia da tramitação estenda-se por um mês ou mais, o que atrapalharia o cronograma de obras planejado. Por outro lado, os argumentos que Arraes e equipe utilizarão para sensibilizar a quem irão recorrer, é que, com o empenho em barrar os recursos para o estado, PFL e PMDB promovem uma retaliação a Pernambuco, já que outros 13 estados já conseguiram os recursos graças à privatização de estatais.  


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