Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Lula quer ampliar o apoio à sua candidatura

Petista pode até aceitar uma aliança política com Quércia

BRASÍLIA - Nunca Luiz Inácio Lula da Silva foi tão radical na defesa das alianças eleitorais. O candidato do PT à Presidência da República disse ontem, durante encontro nacional de parlamentares do PCdoB em Brasília, que não aceita repetir os erros da esquerda no passado. "Nos interessa que os dissidentes do PMDB venham. Não estou disposto a perder a eleição como em 1989, quando não tivemos coragem de conversar com o doutor Ulisses", afirmou, num discurso em que exorcizou até a culpa dos que já votaram em Jáder Barbalho, Orestes Quércia e Fernando Henrique no passado.

O reconhecimento dos equívocos cometidos permitiu a Lula brincar com as derrotas sofridas. "Em 1982 eu era tão exigente, exigia tanta qualificação dos que queriam votar em mim, que o eleitor não se sentia preparado", contou, lembrando a campanha para o governo de São Paulo, quando foi derrotado por Franco Montoro. São os erros históricos da esquerda, segundo o candidato. "Não dá para confundir ideologia com política. Não podemos só querer alianças com iguais, sob pena de não conseguirmos somar nada", pregou. Lula criticou até a Central Única dos Trabalhadores (CUT) por ter menosprezado os efeitos do real na campanha de 1994.

DEFESA PRÓ-QUÉRCIA

O candidato do PT defendeu os que votaram em Quércia em 1974, em Jáder Barbalho em 1982 e em Fernando Henrique, em 1978. Lembrou que estas eram as opções, naquela época, dos que se opunham às candidaturas conservadoras". Quem critica hoje não se lembra que Jáder era a única alternativa a Jarbas Passarinho no Pará e Fernando Henrique a Jânio Quadros, para a prefeitura em São Paulo. Não podemos ter vergonha de assumir o que fizemos". Para não deixar dúvidas, Lula destacou que quem mudou foram seus adversários, não os companheiros da esquerda.

As provocações que agora assume, explicou Lula aos militantes comunistas, servem para amadurecer a oposição para a campanha deste ano. "Esta vai ser uma disputa dura. Temos de conversar com qualquer um que se oponha ao neoliberalismo e dizer: €Sejam bem vindos!€". Por isso, chegou a hora, avalia Lula, de acelerar as composições nos estados - para garantir ao petista palanques mais apaziguados a partir de junho. "Temos de afinar nossa viola: começar a campanha já, respeitando a lei e colocando nosso povo na rua". Falta, para isso, definir probleminhas como São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e a Bahia.

LEQUE DE ALIANÇAS

Lula quer definir já o leque de alianças para a disputa de outubro. "A hora de definir é agora, senão passa o tempo e nós não teremos aliados". O candidato do PT deu nome e sobrenome a quem quer atrair. "Vou jogar até o último dia com as alianças políticas. Vou trabalhar com o PMDB", afirmou Lula a uma platéia repleta de camisetas com a estampa de Che Guevara. Os militantes do mais radical partido da frente de oposição aplaudiram.

Se os radicais petistas torceram o nariz quando Lula convidou o agora ministro José Serra e o empresário Antônio Ermírio de Moraes para debates, o candidato avisou que não vai parar por aí. "Vou convidar o Jatene (Adib Jatene, ex-ministro de Fernando Henrique) para falar sobre saúde", avisou. A explicação, segundo Lula, é simples. "Um do lado de lá reconhecendo o que nós falamos tem outro peso". O candidato sonha com a força do depoimento de Jatene exibido nos programas eleitorais da oposição. "Ele falaria para uma base eleitoral que nunca votou na gente, mas que poderia passar a pensar nisso", crê o candidato do PT.

CONVIDADOS

Na lista dos convidados do PT para os debates promovidos pela Fundação Perseu Abramo, mantida pelo partido, estão os presidentes dos sindicatos patronais das indústrias têxtil, calçadista, de autopeças e da indústria de máquinas, "para que digam o que a política neoliberal está causando a eles". "Vamos colocar eles para falar mal deles".


Presidente rebate líder petista

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