Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

PMDB negocia indicação de Jáder

BRASÍLIA - Os governistas do PMDB estão negociando com o presidente Fernando Henrique Cardoso uma saída honrosa para o líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), que desfaça as suspeitas de veto do PSDB e do Palácio do Planalto ao ingresso do senador no Ministério. O ministro da Justiça, Iris Rezende (PMDB-GO), contou ontem que o próprio presidente garantiu-lhe, na quarta-feira, que Jáder será seu substituto se quiser. Os governistas ainda esperam um convite oficial do presidente ao líder, para assumir o comando da Justiça, cientes, no entanto, de que dificilmente Jáder aceitaria.

O grupo aliado ao Planalto faz uma série de reuniões informais durante o fim de semana para discutir não apenas a sucessão de Iris na Justiça, como a troca de comando na presidência do partido. Os mesmos amigos que fazem questão do convite oficial para desfazer o mal-entendido com o Planalto, defendem que Jáder recuse a oferta. A avaliação predominante na cúpula do partido é a de que o líder faz mais falta na presidênciado PMDB do que na equipe ministerial, até porque a Justiça tem pouca verba e não rende voto. "Ali só tem pepino", resumiu ontem um dirigente do PMDB.

Na esperança de uma recusa do líder Jáder Barbalho, o ministro Iris, que deixa o posto na terça-feira (31) para concorrer ao governo de Goiás, insiste no nome de seu secretário-executivo, José de Jesus, para substituí-lo. "Já disse ao presidente que, se o Jáder não quiser ser ministro, o governo estará bem servido com meu adjunto, que foi ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e tem os conhecimentos jurídicos necessários", contou Iris. Mas ele mesmo não descarta a possibilidade de o líder aquiecer e aceitar seu posto.

Não é à toa que a direção do partido torce para que Jáder fique fora do Ministério.

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