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| Recife, Sábado, 28 de Março de 1998 |
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Covas vai disputar reeleição Governador de São Paulo disse que cedeu às ponderações dos amigos para rever posição política no estado SÃO PAULO - O governador Mário Covas anunciou ontem uma surpresa que todos esperavam: mudou de idéia e vai disputar a reeleição pelo PSDB. Covas comunicou a decisão durante uma reunião extraordinária do seu secretariado, no Palácio dos Bandeirantes - para o mesmo público e no mesmo local onde, em setembro do ano passado, havia afirmado que não seria candidato. Falou durante cinco minutos e, como pediu que ninguém fizesse discurso, a reação dos 23 secretários do governo estadual foi uma longa salva de palmas. "Cedi às ponderações de meus companheiros, avaliei os fatos e cheguei à conclusão de que devia ser candidato", declarou Covas à Imprensa, às 12h45, depois de um encontro com o presidente regional do PSDB, Mendes Thame, e com o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Vanderlei Macris. "Diante das ponderações, resolvi aceitar e vou lutar para ganhar a eleição", disse o governador. Ele insistiu em negar que tenha se curvado às pressões de seu partido, que fez questão de não apresentar outro nome para a sucessão. Depois de vir afirmando, há quase um ano, que não seria candidato, Covas fez questão de argumentar, ontem, que o fato de ter mudado de idéia não significa indecisão. "Assumo a decisão de submeter meu nome à convenção do meu partido com a mesma tranqüilidade e a mesma convicção com que dizia, antes, que não seria candidato", disse o governador. Contrário à tese da reeleição, que só apoiou depois de o PSDB ter optado pela recondução de Fernando Henrique, Covas traiu-se ao explicar por que voltou atrás. GLÓRIA "Ser eleito governador do estado é uma glória para qualquer um, mas na minha maneira de pensar eu achava que o partido deveria escolher outro candidato, para que se estabelecesse o rodízio", afirmou Covas. Ele reafirmou que não queria ser candidato, mas, tomada a decisão, ele promete brigar pelos votos com disposição e coragem. "Só vou deixar o poder no dia 31 de dezembro", advertiu o governador, descartando a hipótese de se licenciar durante a campanha. Duas horas apósa confirmação da candidatura, o presidente Fernando Henrique foi ao palácio manifestar sua gratidão a Covas. Chegou de carro, às 15h15, entrou pela garagem, subiu até o segundo andar pelo elevador privativo e passou 75 minutos conversando com o governador. O ministro da Educação, Paulo Renato, que teria aspirações ao cargo, no caso de Covas não se candidatar, participou do encontro. Fotógrafos e câmaras puderam registrar a reunião, mas Fernando Henrique não deu entrevista. A preocupação, segundo assessores do Bandeirantes, era não se expor às críticas dos adversários, que poderiam acusar o presidente e o governador de já estarem usando a máquina para a campanha eleitoral. "O palácio não é o local ideal para falar desse assunto", esquivou-se Covas, quando reuniu os jornalistas, antes da chegada de Fernando Henrique, para comunicar a sua decisão. A notícia não foi surpresa para o presidente da República, que foi o primeiro a saber. Covas telefonou pela manhã a Fernando Henrique, que estava inaugurando duplicação da Rodovia Fernão Dias, em Minas. O secretariado só foi convocado às 9h para a reunião extraordinária, que começou pouco mais de três horas depois. "Esperávamos que o governador acabaria aceitando concorrer à reeleição, mas não sabíamos que o anúncio ia ser feito aqui", disse o secretário da Casa Civil, Walter Feldman, um dos auxiliares maiores entusiastas da candidatura de Covas. A expectativa do PSDB era que o governador aproveitasse o encerramento de um congresso da Associação Paulista de Municípios, hoje, às 11h, em Praia Grande, no litoral, para anunciar que seria candidato. PRESTÍGIO Como Fernando Henrique estaria em São Paulo neste fim de semana, levantou-se a possibilidade de ele ir a Praia Grande, a 92 quilômetros da capital, para prestigiar Covas. O governador manteve o congresso na agenda, mas a assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes considera pouco provável que o presidente o acompanhe, depois de ter conversado com ele em São Paulo. A cerimônia de encerramento do congressodeverá reunir milhares de militantes do PSDB, que a direção do partido mobilizou para aumentar a pressão sobre Covas. Com a precipitação da candidatura, a manifestação deverá se transformar numa festa. O principal argumento que os tucanos usaram para convencer o governador de que ele devia se candidatar à reeleição foi que só ele poderia derrotar o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). "Uma eventual vitória de Maluf seria um risco muito grande para a sociedade", advertiu o secretário Walter Feldman. Covas não passou recibo. "Minha disputa não é contra o ex-prefeito Paulo Maluf, é com seis ou sete candidatos", disse o governador. "Vou disputar os eleitores, apresentando a melhor proposta de governo", acrescentou. Ao saber que o governador havia resolvido aceitar a candidatura, Maluf reagiu com ironia. "No dia em que Mário Covas tomar uma decisão e em seguida não voltar atrás, ele não seria o Mário Covas", declarou o candidato do PPB em Praia Grande, no congresso dos municípios. A entrada do governador nopáreo, disse Maluf, não vai alterar sua estratégia eleitoral. "Minha campanha está há nove meses nas ruas, com um programa de governo bem definido", acrescentou. As prioridades de seu governo, adiantou, serão a segurança, saúde, educação, emprego e casas populares - justamente os alvos que mais ataca no governo de Covas. |
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