Recife, Sábado, 28 de Março de 1998

Epidemia cresce por descaso do governo

BRASÍLIA - Não é por falta de boas idéias que a epidemia de dengue está se espalhando por diversos estados do país. O ambicioso plano para erradicar o mosquito Aedes aegypti apresentado pelo ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, em março de 1986, previa o fim da doença em um prazo de três anos. Elaborado por 70 profissionais de diversos órgãos do ministério, o projeto, com mais de 100 páginas, foi aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em uma reunião que contou com 12 ministros de estado.

"A iniciativa é ambiciosa, inovadora e ousada, pois vai além da intenção da erradicação do vetor ao propor ações que promoverão a saúde e, conseqüentemente, melhorarão as condições de vida do brasileiro", alardeava o texto do Ministério da Saúde que divulgava o projeto. O plano, entretanto, nem mesmo entrou no orçamento do governo federal.

O projeto previa a aplicação de R$ 1,5 bilhão anuais, até 1999, na erradicação total do mosquito. Apesar de prever um gasto no valor de R$ 4,5 bilhões, a idéia do governo era economizar o dinheiro público. "As cifras comprovam que o custo de erradicação do Aedes aegypti a longo prazo é menor que o custo das ações de controle até aqui desenvolvidas, apesar de no primeiro momento o plano demandar a aplicação de grande volume de recursos", afirma o projeto.

Só em 1995, foram registrados 120 mil casos de dengue em todo o Brasil. No projeto, os técnicos do Ministério da Saúde lembravam que os prejuízos financeiros causados pela dengue incluíam efeitos sobre o sistema produtivo dos países atingido e impactos sobre o meio ambiente. 


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