Recife, Sexta-Feira, 27 de Março de 1998

Há 150 anos

Segunda-feira, 27 de março de 1848.

Avisos Diversos. - Guilherme Purcel, fabricante de bolachinha leite, na rua da Senzala Velha, nº 32, avisa aos seus fregueses, que, de hoje (27) em diante, principia a vender ditas bolachinhas, a 160 rs a libra.

Vão começar no colégio de Santo Antônio os cursos de filosofia e geografia; e o respectivo professor, o Sr. Antônio Pedro de Figueiredo, compromete-se a esforçar-se, para que os seus alunos aproveitem-no o mais possível: os que quizerem estudar estas disciplinas, apresentem-se, quanto antes, para não perderem as primeiras lições.

Vendas. - Vendem-se presuntos e queijos americanos, ultimamente chegados dos Estados Unidos, muito frescas; vassouras para varrer salas e tapetes; baldes e balaios americanos, próprios para embarque; e outros objetos por preço cômodo: na rua da Cruz, nº 7, armazém de Davis & Companhia.

Vende-se uma porção de sebo derretido, em mosquetos, vindo de Buenos Aires, e caixas com velas muito superiores: na rua da Cadeia, nº 40.

Há 100 anos

Domingo, 27 de março de 1898.

Revista Diária. - Procissão dos Passos. -

Realizou-se anteontem com a esperada pompa, a procissão do Senhor dos Passos que, saindo do Convento do Carmo, percorreu as ruas Barão da Vitória, Cabugá, Praça da Independência, Imperador, ponte Buarque de Macedo, Cais, rua Marquês de Olinda, Cruz, Praça e Arsenal, voltando dali a recolher na matriz do Corpo Santo. Ao ato compareceu grande número de corporações religiosas, além dos representantes de outras classes e pessoas de nossa elite social. O andor em que ia a veneranda imagem do Senhor dos Passos, estava riquíssimamente ornada com muito gosto artístico, o que aliás costuma sempre suceder. Quer nas ruas do itinerário de onde foram jogadas muitas flores sobre o andor, quer no acompanhamento do préstito que desenrolava-se numa extensão talvez além dos 400 metros, era extraordinária a afluência do povo de todas as classes de nossa sociedade que assim ofereceu uma prova evidente de seus sentimentos católicos. Ao recolher a procissãosendo insuficiente a matriz do Corpo Santo para conter a grande multidão, fez o sermão do estilo o Rvd. Sr. Dr. Amorim que falou com muita largueza e elevação de idéias. (...)

Há 50 anos

No dia 27 de março de 1948, o DP não circulou por ser Sábado de Aleluia. Na edição de 6ª feira, dia 26, publicou:

Coisas da cidade - A propósito de um quadro de Parreiras - O ministro Correia e Castro ofereceu ao Museu de Artes de São Paulo o quadro "Iracema", pintado por Antônio Parreiras. É o Museu de Arte, superiormente dirigido pelo prof. Bardi, dará ao quadro a colocação merecida. Lembro-me, que o Velho Parreiras, quando de uma de suas exposições, aqui no recife (isso há cerca de 30 anos) doou ao Estado de Pernambuco um de seus quadros. Parece-me que um Nu. É o caso de perguntar: onde anda esse quadro? Por ser um Nu, tem-se a impressão que os governadores não se animaram a pô-lo nas paredes do Palácio. Mas então é o caso de removê-lo para o Museu do Estado e não somente a esse quadro, mas a muitos outros, que se acham atirados como "ferro velho" nos socavões ou na mordomia do Palácio. Achando-se no Recife, presentemente, um filho de Antônio Parreiras, o pintor Daki Parreiras, era o caso de este sindicar onde se encontra o quadro que seu pai, tão generosamente deu ao Estado de Pernambuco. Infelizmente, o nosso Museu se arrasta por aí tão sem verbas (a Biblioteca Pública tem 12 contos) que está mesmo transformado num verdadeiro depósito (...) - 2. (Aníbal Fernandes).

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