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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Recife reduz mortalidade infantil Agentes de saúde são apontados como principal instrumento de ajuda na melhoria da qualidade de vida A situação da mortalidade infantil no Recife ainda é grave, mas já começa a apresentar sinais de recuperação. No ano passado, para cada grupo de mil crianças nascidas vivas, 24 morriam antes de completar um ano. Há cinco anos essa taxa era de 38. "A queda pode ser considerada importante, pois mostra que ocorreu um aumento na qualidade de vida da população. Na minha opinião, isso é o mais sensível indicador social", avalia o oficial de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Halim Girade. Ele destaca que houve vontade política para as questões primárias de saúde, mas para que a mortalidade infantil continue diminuindo é preciso resolver problemas estruturais da cidade como saneamento, educação e desemprego. "Conseguir baixar a mortalidade para menos de 20 é muito mais difícil", acredita Girade. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, vários motivos contribuíram para a redução. Um deles é o fato de que o Recife é a capital que tem o maior número de agentes comunitários do país, com mil pessoas trabalhando diretamente com a comunidade. "E o mais importante nisso, é que são moradores da própria localidade que conhecem e vivem os problemas na pele", destaca o secretário Guilherme Robalinho. Cada agente atende entre 150 e 200 famílias, distribuídas em seis distritos sanitários, os quais desenvolvem programas de profilaxia. O secretário concorda que a diminuição não é uma fórmula mágica, e sim, conseqüência de vontade e iniciativa política. "Somente no ano passado realizamos 500 reuniões nas comunidades, todas com a participação de mais de cinqüenta pessoas. Isso prova que é possível se fazer medicina integral (preventiva e curativa). Estamos promovendo, nas comunidades carentes, ações que deverão atingir todo o município, entre elas, a volta do médico clínico da família e do atendimento especial para crianças de alto risco", afirma. Robalinho considera que o grande passo da secretaria para a redução da mortalidade infantil foi a implantação do Projeto Criança Cidadã, em outubro de 1994.Ele atende a menores de zero a um ano, que nasceram prematuros e com baixo peso, sejam filhos de mães com menos de 15 anos ou que tenham problemas neurológicos. Eles são visitados duas vezes por mês e recebem leite para o mês inteiro. Além disso, têm prioridade de atendimento nos postos de saúde. "Esse projeto foi importantíssimo para que o Recife começasse a mudar o atendimento médico dessas crianças consideradas especiais", destaca o representante do Unicef. |
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