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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Barraqueiros de Piedade querem tratamento igual Beira mar sem casas ou condomínios Os comerciantes da orla marítima de Jaboatão saíram em passeata exigindo que a ordem de reintegração de posse, movida pela prefeitura do município em conjunto com a União, também seja válida para as casas e condomínios construídos à beira mar. Com faixas e cartazes, eles interditaram, na manhã de ontem, parte da avenida Bernardo Viera de Melo, congestionando o trânsito. Eles também querem ficar nos antigos locais de trabalho, de onde estão sendo retirados desde a última quinta-feira. A confusão de ontem começou quando as máquinas pararam diante de algumas casas e prédios, que segundo os próprios comerciantes, também invadiram a faixa de praia. "A prefeitura só derruba o imóvel dos pobres. Queremos que as casas e os edifícios das pessoas ricas não sejam esquecidos, afinal a ordem é para todos", lembra o presidente da associação dos microempresários da orla de Jaboatão, José Luiz Araújo. Para evitar que os manifestantes tentassem depredar as máquinas, uma equipe de trinta policiais militares acompanhou toda amovimentação. De acordo com o procurador-geral do município, Senomar Teixeira, a redução de terreno dos condomínios e casas construídos na faixa de praia será realizada depois que uma equipe de peritos da prefeitura analisar toda a obra, o que pode durar alguns dias. "O nosso trabalho não irá excluir ninguém, apenas vamos analisar a planta de cada imóvel para constatar se realmente será preciso a demolição", afirma Teixeira. A iniciativa da prefeitura de utilizar os peritos veio depois que os próprios fiscais constataram um erro na demolição da fachada de um dos prédios. No edifício Marta Regina, de número 4968, as máquinas destruíram a fachada, a guarita e deixaram a fossa completamente exposta. Os moradores foram obrigados a contratar seguranças particulares, já que toda a grade de proteção foi arrancada. "As máquinas arrastaram tudo pela frente. Estamos completamente desprotegidos", conta a moradora Gerluce Didier. O procurador-geral do município garante que neste, e nos casos em que for comprovado o excesso por parte do poder público, todos os envolvidos serão indenizados. "Vamos ficar responsável por todas as ações em que forem comprovados os erros", conta Senomar Teixeira. Para se defender das máquinas e escavadeiras, os proprietários de algumas casas aguardavam a chegada do oficial de justiça com um documento que comprovava o tamanho do terreno. Foi o caso do engenheiro Evandro Carlos Nascimento dos Santos, que passou toda manhã em frente a sua residência, na rua Alfredo Régis. "Quando comprei esta casa, há 11 anos, tudo aconteceu dentro da normalidade. A prova disso é que pago regularmente os meus impostos. Não foi a minha casa, e sim, o mar que avançou e a cada ano engole mais um pedaço de terra", explica. De acordo com a prefeitura de Jaboatão, ontem foi último dia de retirada de barraqueiros e estabelecimentos comerciais da orla. |
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