Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Colômbia faz acordo com a guerrilha

BOGOTÁ - Depois de mais de três anos de negociações, o governo colombiano fez um acordo com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) para negociar a paz. O acordo, que foi assinado em 9 de fevereiro e mantido em segredo até anteontem à noite, deve ser ratificado pela cúpula do ELN, a segunda guerrilha mais importante da Colômbia, que luta há mais de trinta anos.

O pré-acordo, firmado em Madri com a mediação do governo espanhol, estabelece uma convenção nacional para a paz, a democracia e a justiça social, que deve ser seguida de uma assembléia nacional constituinte. Inclui a suspensão das operações ofensivas do ELN durante a etapa de negociações e a garantia de segurança para que seus representantes possam participar.

ELEIÇÃO

A reunião preparatória da assembléia para redigir as reformas constitucionais foi convocada para os dias 5, 6 e 7 de junho, época de realização do segundo turno das eleições presidenciais programadas para o dia 21 do mesmo mês.

O candidato presidencial Andrés Pastrana, que é favorito nas pesquisas, disse que respalda o pré-acordo, mas pediu que a reunião preparatória aconteça antes do primeiro turno ou depois da eleição do presidente da Colômbia. "Não se pode politizar a paz", explicou.

Horacio Serpa, o candidato oficialista, em segundo lugar nas pesquisas, também afirmou ser prudente adiar a reunião para depois das eleições. "Acima de qualquer diferença política, o importante é buscar a reconciliação nacional".

Daniel García Peña, conselheiro presidencial para a paz, explicou que o ELN solicitou deliberadamente que a reunião aconteça a duas semanas do segundo turno das eleições, para que os candidatos se comprometam a respaldar o processo de paz. "O ELN é revolucionário e não quer favorecer nenhum candidato. Só deseja garantias de que o acordo será cumprido", ressaltou Peña.

FARC

O maior e mais antigo grupo guerrilheiro, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), ficou fora das negociações. García Peña explicou que o grupo também quer a assembléia e por isso é possível que o acordo para a paz seja feito conjuntamente.

O conselheiro destacou que o acordo é fundamental, porque é a primeira vez que o ELN assina um documento no qual se compromete a interromper o conflito armado, se houver reformas econômicas, políticas e sociais. O ELN segue uma estratégia que visa debilitar a economia do país. Desde 1986, a infra-estrutura petrolífera tem sido alvo de mais de 510 ataques com explosivos, que provocaram acidentes ecológicos e espantaram os investimentos estrangeiros.


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