Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Duma veta novo premier russo

Presidente do Parlamento considera que Sergei Kiriyenko não possui a experiência necessária ao cargo

MOSCOU - O presidente da Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma), o comunista Gennady Seleznyov, pediu que um dos assessores do presidente Boris Yeltsin lhe comunicasse que seria melhor propor um outro candidato a primeiro-ministro, em vez do interino Sergei Kiriyenko, porque ele não tem a experiência necessária.

No recado, Seleznyov descreveu Kiriyenko como pouco conhecido, sem informações detalhadas sobre a maioria das questões econômicas, a não ser as da área em que atuava (era ministro da Energia e do Combustível).

Ele deixou claro que, caso Yeltsin decida escolher Kiriyenko para chefiar o governo, sua inexperiência para comandar a vasta economia russa será um obstáculo para a aprovação do novo gabinete pela Duma.

COALIZÃO

Já o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, reuniu-se, ontem, com Kiriyenko e insistiu na proposta de formação de uma coalizão de governo, o que o Kremlin rejeita, alegando que a equipe deve ser formada por profissionais e não por políticos.

"Se o governo persistir namanutenção do atual curso da economia, não vamos apoiar nenhum candidato", frisou Zyuganov. Kiriyenko recebeu, contudo, o embaraçoso apoio do magnata Boris Berezovski, que analistas políticos em Moscou apontam como o mentor da decisão de Yeltsin de destituir, na segunda-feira, todo seu Gabinete. Em entrevistas à Imprensa, ele elogiou o jovem tecnocrata. "É sem dúvida melhor do que o que tivemos até agora", disse.

DINAMISMO

O porta-voz de Yeltsin disse que o presidente se sente confortado porque os cidadãos se mantiveram tranqüilos diante das profundas mudanças governamentais que começaram na segunda-feira.

"O presidente contava que a sociedade reagiria à sua decisão de demitir o gabinete da forma como o fez: com interesse, compreensão e calma", disse o porta-voz Serguei Yastrzembsky à agência de notícias Itar-Tass. Yeltsin demitiu o Gabinete dizendo que a mudança dará à Rússia uma liderança mais dinâmica para incentivar a economia e proteger as reformas democráticas.

Ontem, Yeltsin passou o dia reunido com assessores para preparar a reunião de hoje com o presidente francês, Jacques Chirac, e o chanceler alemão, Helmut Kohl. Eles vão enfocar questões européias, a crise iraquiana e as relações entre seus países.preparando-se para a reunião de cúpula com o chanceler alemão, Helmut Kohl, e o presidente francês, Jacques Chirac.

DESAFIO

Yeltsin tem duas semanas para apresentar um candidato a primeiro-ministro à Duma, onde certamente enfrentará uma dura batalha política para impor o nome de sua escolha.

Ainda não ficou claro se Kiriyenko será seu candidato, embora diversos funcionários governamentais, entre eles Yastrzembsky, tenham dito que é grande a probabilidade de que isso ocorra. Kiriyenko, que tem apenas sete meses de experiência no governo, admitiu, numa entrevista publicada, ontem, pelo jornal Izvestia, que enfrenta um difícil desafio.

"Estou muito apreensivo. É impossível ser um profissional em todas as áreas. O essencial é compreender claramente os próprios limites e, no resto, confiar nosintegrantes da equipe", disse ele.

Yeltsin já deixou claro que nem todos os componentes de seu gabinete serão dispensados e alguns titulares fundamentais, como o ministro das Relações Exteriores, Yevgueny Primakov, e o da Defesa, Igor Sergueyev, continuarão em seus cargos.


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