Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Economia africana atrai os EUA

País de Mandela é a etapa mais importante da visita do presidente norte-americano, Bill Clinton, à África

CIDADE DO CABO - O presidente norte-amerizano Bill Clinton chega, hoje, à África do Sul, a etapa mais importante de seu giro africano e a única à qual Washington caracterizou como visita de Estado. Primeira potência econômica do continente africano, o país é de grande importância para os Estados Unidos, num momento em que se está sendo apresentada no Senado norte-americano a lei destinada a abrir o mercado interno aos países da África que estão liberalizando sua economia.

O país dirigido por Nelson Mandela também tem particular importância por sua evolução multirracial. "A idéia principal da visita provavelmente é a de dar, pela primeira vez, a possibilidade a um presidente norte-americano de submergir na nova democracia plurirracial que é a África do Sul", segundo Sandy Berger, conselheiro de seguro de Clinton.

ECONOMIA

Washington e Pretória começaram a tecer as relações entre os dois países por intermédio da Comissão binacional criada em dezembro de 1994 e dirigida conjuntamente pelos vices-presidentes norte-americano e sul-africano, Al Gore e Thabo Mbeki.

Em seu discurso ante o Parlamento hoje, Clinton apresentará as iniciativas de seu país no âmbito do comércio e do desenvolvimento. Pretória concedeu à nova política comercial dos Estados Unidos na África uma aprovação prudente e continua reticente a qualquer cláusula que submete as relações econômicas às condições políticas.

Outro momento destacado da estada de Clinton será sua visita em companhia de Nelson Mandela à prisão de Robben Island, onde o atual presidente sul-africano passou a maior parte de seus 27 anos de prisão na época do apartheid.

Esta visita, cuidadosamente preparada, permitirá aos cinegrafistas e fotógrafos registrar imagens de Clinton no local, com o objetivo de serem vistas e comentadas pelos milhões de eleitores negros norte-americanos.

RELAÇÕES

Claro que será preciso evitar cuidadosamente possíveis notas delicadas. O encontro Clinton-Mandela será o primeiro depois de todas as reservas expressadas por Washington quando opresidente sul-africano visitou a Líbia em outubro passado, sem esquecer as reticências das relações amistosas da África do Sul com Irã e Cuba.

Não parece provável que Clinton traga esses temas à tona, já que os Estados Unidos querem que a viagem do presidente seja um êxito absoluto das relações públicas. O presidente norte-americano também deverá tentar o equilíbrio diplomático em outros casos: ele chega em Pretória pressionado pela poderosa indústria farmacêutica de seu país, que acusa a África do Sul de ter instaurado no ano passado uma legislação sobre medicamentos que viola os direitos da propriedade intelectual.

O embaixador dos Estados Unidos em Pretória considerou, no entanto, que esses problemas não constituirão um obstáculo. "As relações entre nossos países só têm quatro anos. Estamos nos descobrindo mutuamente. Qualquer relação demora décadas para ser construída", declarou ao jornal Star, de Johannesburgo.


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