(Atualizado no dia 20/3/1998)

Operários se unem para manter usina em atividade

Eles fundaram uma cooperativa para administrar a Santa Teresinha

Antígona Monteiro

No auge da crise vivida pelo setor canavieiro em Pernambuco, um grupo de operários encontra uma saída para evitar o fechamento da usina em que trabalha e consegue impedir a demissão de cerca de 420 pessoas. O fato está acontecendo em Água Preta, município da Zona da Mata Sul do Estado, a 128 quilômetros do Recife, onde, em junho do ano passado, foi criada a Coopersantal (Cooperativa de Produção dos Operários da Usina Santa Teresinha).

Desde então, os empregados controlam financeira e administrativamente a usina e comemoram o final da safra 97/98 contabilizando a produção de 292 mil sacas de açúcar e nove mil toneladas de mel. "Não era nossa meta, mas estamos satisfeitos porque implantamos este projeto mantendo os empregos e sem prejuízos, já que as despesas praticamente empataram com a receita", informa o diretor técnico e idealizador da cooperativa, Dion Wanderley, ao afirmar que a experiência é pioneira no Norte-Nordeste do País.

CRISE

Ele lembra que a crise na Santa Teresinha começou no início da décadade 80 quando a produção, que variava entre 700 e mil sacas de açúcar por safra, caiu para zero entre setembro de 82 a março de 83. "Os débitos se acumulavam, o que acarretou no afastamento dos proprietários (a família Pessoa de Queiroz). A usina passou por um processo de intervenção, que não satisfez nem a Justiça nem aos trabalhadores. Pelo contrário, os problemas só aumentaram e outros surgiram, como o sucateamento do patrimônio", explica.

Em 96, a Santa Teresinha quase volta a fechar suas portas. A Coopersantal entrou em ação no período de entressafra e saiu em busca de ajuda para se programar para a próxima moagem. Encontrou apoio no Sindicato dos Trabalhadores do Açúcar e de Álcool de Pernambuco, na Cruzada de Ação Social e nas prefeituras de Água Preta, Palmares e Xexéu para efetuar o pagamento de gratificações e distribuir cestas básicas até retomar as atividades. "Cerca de 15 mil pessoas desta região dependem da usina", revela Edvaldo Galdino, diretor administrativo da cooperativa.

CONFIANÇA

Mas o maior voto de confiança no projeto dos operários partiu de uma destilaria da Paraíba (a Una Agro Industrial), que comprou antecipadamente toda a produção do melaço da última safra. "Foi desta forma que conseguimos dinheiro para comprar peças de manutenção e pagar os salários", conta José Gomes, secretário da Coopersantal. Já a comercialização do açúcar foi feita para os armazéns da Mata Sul. A venda acontecia em cima da maior proposta.

O planejamento para a safra 98/98, que começa em setembro, já está pronto e prevê a moagem de 400 mil toneladas de cana e uma produção de 720 mil sacas de açúcar e 16 mil toneladas de mel. "Mas para atingirmos este objetivo precisamos contar com um maior apoio", completa Dion Wanderley.


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