(Atualizado no dia 25/3/1998)

A Internet afetará a medicina?

A Rede está acelerando a troca de idéias, permitindo que os profissionais tenham acesso a estudos recentes

Bill Gates

Pergunta - A Internet afetará a prática da medicina? Como? Karima El Korri, Marrocos (elam@ mbox.azure.net)

Resposta - A Internet afetará quase tudo e a prática da medicina não será exceção. Isso já se reflete nos dias de hoje. A Internet está acelerando o compartilhamento de idéias e resultados de pesquisa, permitindo que os profissionais e os pacientes de serviços de saúde tenham acesso antecipado a estudos mais recentes.

As pessoas com acesso à Web que tenham um parente doente podem obter, geralmente, informações sobre ele via Web, caso esteja internado.

Eu mesmo já passei muitas horas na Web lendo informações sobre problemas de saúde enfrentados pelos meus amigos e familiares. O detalhamento dessas informações médicas é assombroso mas, também, há um monte de charlatões à solta na Internet. Portanto, não confie em tudo o que lê.

A Internet permite que doentes que sofram de uma mesma enfermidade se mantenham em contato, compartilhem informações e, assim, se sintam menos sozinhos. A comunidade de pacientesé mundial, e os fóruns online facilitam a comunicação entre essas pessoas.

Se você está tentando escolher entre duas cirurgias arriscadas, talvez valha a pena trocar e-mails com outros que estejam enfrentando ou tenham enfrentado a mesma escolha.

Quando Andy Grove, executivo-chefe da Intel, teve câncer de próstata alguns anos atrás, começou uma pesquisa, bem-sucedida, sobre terapias online.

Hoje, há muito mais informação médica disponível online do que havia um ou dois anos atrás. Um bom lugar para começar sua exploração de informação médica e grupos de apoio a pacientes é o site MedWeb, mantido pela Biblioteca do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Emory (www. gen.emory.edu/medweb/). Outros locais de acesso são dois sites do governo dos Estados Unidos, www.healthfinder.gov e www. ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/.

Nos próximos anos, o impacto da Internet sobre a medicina crescerá. Assim que as conexões de alta velocidade se tornarem comuns e as pessoas se ajustarem ao estilo de vida da Web, as consultas remotas se tornarão populares.

Já estão sendo feitos grandes avanços na telemedicina, especialmente nas regiões do mundo em que há escassez de médicos e hospitais.

Por exemplo, imagens de eletrocardiogramas e de raios-X podem ser comprimidas e transmitidas via Internet, para que especialistas em outros locais possam oferecer consultas rápidas.

Hoje em dia, os registros médicos tendem, ainda, a ser feitos em papel. São levados de um lugar a outro fisicamente. Há companhias cujo negócio envolve copiar registros médicos com fotocopiadoras portáteis.

O uso do papel é tremendamente ineficiente, se compara do às possibilidades abertas pelos computadores, mas essa ineficiência tem a vantagem prática de ajudar a proteger a privacidade - e proteger a privacidade é uma questão vital e uma tradição, quando se trata de registros médicos.

Quando os dados estão em formato eletrônico, há pelo menos o potencial de distribuição eficiente, mas não autorizada. Felizmente, tecnologias de cifragem e autorização, com binadas com diretrizes vigorosas de defesa da privacidade, podem transformar os registros médicos eletrônicos em versões muito mais seguras do que suas contrapartes em papel.

Há software para controlar quem tem acesso a informações médicas e que pode verificar quem de fato as utilizou. À medida que nos aproximamos mais do consultório sem papel, é vital - e, em última análise, inevitável - que as agências que cuidam dos registros tomem medidas adequadas para garantir o sigilo.

Estamos entrando em um período de grandes mudanças e progressos na prática da medicina. Boa parte delas será devido à indústria da biotecnologia, que promete revolucionar a forma pela qual cuidamos de nossa saúde. Mas a Internet também terá um importante papel a desempenhar.

Pergunta - A que velocidade você consegue digitar? (Magica2@WebTV. net)

Resposta - Eu sou mais ou menos um catamilhógrafo, ainda que digite rápido. Não sei quantas palavras por minuto consigo digitar, mas diria que em torno de 60. A maior parte do que escrevo são mensagens de e-mailpara pessoas que me conhecem. E escrevo rápido. Por exemplo, não me incomodo com maiúsculas, porque geralmente meu processador de textos cuida disso para mim.

Quando estou trabalhando em um documento mais formal, como esta coluna, escrevo mais devagar e com mais cuidado. A velocidade de digitação é menos importante porque paro para pensar enquanto escrevo.

Espero em breve acrescentar recursos de reconhecimento de voz ao Windows. Assim que os computadores pessoais forem mesmo bons em transcrever as palavras que ouvem, eu falarei mais e digitarei menos. E o mesmo vale para todo mundo.

Pergunta - Qual é a taxa média de rotatividade de mão-de-obra em sua companhia? Tom Jarosz (itjobs@inetnow.net)

Resposta - Acompanhamos esse índice de perto, porque as pessoas são o nosso recurso mais importante. Encontrar grandes profissionais e conservá-los é a chave do sucesso.

Quando se trata de acompanhar a rotatividade, há dois números a observar. Um é a taxa de demissões, a porcentagem da força de trabalho que deixa a companhia em um de terminado ano.

De acordo com dados do Saratoga Institute de 1995, a taxa média de demissões anuais do setor de computadores norte-americanos era de 20,8%, enquanto a da Microsoft foi de 8,7%, indicando uma oscilação relativamente baixa, o que para nós é ótimo.

O outro número é mais importante. Nosso departamento de recursos humanos conhece como taxa de atrito a porcentagem de funcionários que uma companhia perde mesmo que queira conservá-los.

A taxa de atrito média para o setor de computadores é de 13,7%, ante os 11,2%, para as companhias norte-americanas como um todo. A taxa da minha companhia é de 7%, um número razoável.

Ainda que nossos números sejam baixos, a cada ano perco pessoas que realmente preferiria manter na empresa. Tentamos estudar cada partida e perguntar o por quê, o que motivou isso e o que mais a companhia poderia ter oferecido para que a pessoa ficasse.

Nossa companhia é incomum porque a maior parte dos nossos funcionários, que são importantes para o grupo, tem ações na empresa e tende a ganhar muito dinheiro por meio do nosso plano de opções de ações. Eles tendem a ter a liberdade financeira para não trabalhar se quiserem.

Por isso, temos de trabalhar duro para tornar os empregos interessantes, porque receber salários não é o que motiva muitos de nossos melhores em pregados.

Felizmente, gente inteligente gosta de trabalhar com gente inteligente e gosta de trabalhar em produtos de grande impacto.

Mas mantê-los é um desafio constante.


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