Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Ronaldinho garante

Nem parecia amistoso. Em uma partida que teve lances violentos, duas expulsões e pouca técnica, o Brasil conseguiu uma importante vitória sobre a Alemanha, em Stuttgart

STUTTGART - Com um gol de Ronaldinho, aos 42 minutos do segundo tempo, o Brasil derrotou a Alemanha por 2 x 1, ontem, em Stuttgart, no penúltimo amistoso da seleção antes da viagem à França, para a disputa da Copa do Mundo, a partir de 10 de junho.

Num jogo marcado por lances violentos, o resultado, que interrompeu uma série de 22 partidas invictas da Alemanha, satisfez o técnico Zagallo e o coordenador Zico, que fazia sua estréia oficial. "Foi uma vitória de Copa do Mundo, onde a equipe mostrou brio e capacidade", disse Zagallo, exultante após o jogo. Para Zico, "a partida foi importante para a comissão técnica tirar lições para a Copa".

O Brasil entrou em campo com o time-base para a estréia na Copa da França Para Zagallo, era o "jogo do ano", uma prévia do que as duas tradicionais seleções, líderes do ranking da Fifa, podem apresentar na França.

Apesar do frio intenso, cerca de 2º C, o jogo foi disputado num ritmo forte, cheio de entradas desleais. Aos 7 minutos do primeiro tempo, a equipe alemã jáhavia recebido dois cartões amarelos, provocando a revolta do capitão da Seleção Brasileira, Dunga. O Brasil, porém, foi dominado no início. Com muitas dificuldades para sair jogando, fazia a ligação direta entre o meio-campo e o ataque com chutões. Num lance de bola parada, quando Taffarel já havia feito duas grandes defesas, a seleção de Zagallo abriu o placar. Aos 26 minutos, após escanteio cobrado por Cafu, César Sampaio, o melhor jogador brasileiro em campo, desviou de cabeça para as redes. A situação ficou ainda melhor com a expulsão do zagueiro Kohler, quatro minutos depois, por falta em Cafu.

BANCO

A seleção voltou para o segundo tempo sem alterações. Zagallo pretendia dar conjunto ao time e testar, principalmente, o meia Rivaldo na função do "1", fazendo a ligação entre o meio-campo e o ataque. O meia Raí, que não era convocado desde a Copa de 94, não teve chance de jogar. Cercado de cobertores, aguardou o tempo todo no banco de reservas.

Surpreendentemente, quem voltou violento para o segundotempo foi o Brasil. Em seis minutos, Roberto Carlos e Aldair já haviam recebido o cartão amarelo. Cinco minutos depois, Dunga, que já tinha o amarelo, fez falta por trás em Kirsten e foi expulso.

A Alemanha cresceu e chegou ao empate aos 19 minutos, com Kirsten, que passou na velocidade por Aldair e tocou na saída de Taffarel. Quando o jogo caminhava para o empate, o Brasil fez o segundo,num contra-ataque fulminante, iniciado por Roberto Carlos. Ele lançou para Ronaldinho, que driblou o goleiro e marcou.


Jogo nada amistoso
Jeitinho brasileiro

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