Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Frentes de trabalho

Uma das maiores frentes de emergência do estado começa a funcionar hoje na Zona da Mata. Será iniciado o cadastramento de 30 mil trabalhadores rurais desempregados por causa da entressafra da cana-de-açúcar. Eles integrarão a frente emergencial do Promata, o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Mata, que o governo do estado criou com o objetivo de reestruturar a economia da região. A etapa emergencial prevê um investimento de R$ 36 milhões em seis meses.

O Promata reúne ações de longo prazo, principalmente obras de infra-estrutura, orçadas em R$ 250 milhões e que devem ser financiadas principalmente pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas contém ainda medidas de emergência, como a que se inicia hoje. Estas são paliativas, prevêem a mobilização dos canavieiros sem ocupação para que sejam realizadas obras públicas em todos os municípios da Mata. Obras que vão desde a limpesa de ruas à instalação de saneamento básico.

Controlado pelo governo do estado, prefeituras e sindicatos, o cadastramento deve beneficiar apenas aos mais carentes e que sustentem suas famílias. Cada trabalhador com essas características precisará estar disponível durantes seis horas por dia. Trabalhará quatro, fazendo os serviços públicos nos municípios, e estudará nos cursos de alfabetização e profissionalização nas outras duas horas. Por isso, receberá R$ 100,00 mensais, enquanto durar a entressafra da cana.

A frente de emergência do Promata, segundo o secretário de Agricultura, Fernando Bezerra Coelho, consumirá R$ 6 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e mais R$ 30 milhões do estado. Contará também com outros R$ 8 milhões do BID, além de recursos das prefeituras. Todos esses valores, inclusive, deverão ser utilizados pelo governo como contrapartida para o empréstimo de R$ 200 milhões que negocia junto ao BID e que servirão para as obras de longo prazo. Os 30 mil alistados na frente de emergência serão organizados em 19 municípios-pólo, distribuídos por toda a região.

O trabalho emergencial do governono período da entressafra não atende apenas aos canavieiros. Ontem, os representantes de três bancos estrangeiros estiveram reunidos com técnicos do governo para negociar o empréstimo de recursos para que as empresas se mantenham durante a entressafra. O dinheiro será emprestado, nas próximas semanas, através da emissão de títulos da Ceagepe (antiga Ceasa). Esses títulos servirão como garantia para os empréstimos junto aos bancos estrangeiros.

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