Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Petribu fica isolado

Uma decisão isolada e meramente empresarial. Assim foi recebida ontem a informação de que o Grupo Petribu é o primeiro a aceitar os incentivos oferecidos por Minas Gerais para transferir parte de suas usinas de açúcar. A mudança de estado, anunciada pelo empresário Jorge Petribu, deve ocorrer nos próximos meses e é fruto de negociações mantidas desde o final do ano passado, quando começaram a vir a Pernambuco as primeiras missões de técnicos mineiros, com o objetivo de atrair usineiros interessados em investir na região do Triângulo Mineiro.

"Esse é um caso isolado. É uma decisão empresarial e não afeta em nada o programa de reestruturação da zona da mata negociado com o governo do estado", disse ontem o presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), José Ranulfo Queiroz. "Não é a primeira vez que um empresário local monta uma unidade em outro estado. Muitas usinas têm unidades em Goiás e Mato Grosso, por exemplo", acrescentou o economista Francisco Cartaxo, assessorespecial do governador Miguel Arraes para assuntos relacionados à Zona da Mata.

O governo do estado e o Sindaçúcar vêm mantendo negociações em torno de um projeto de reestruturação econômica da Mata e do setor sucroalcooleiro. E Jorge Petribu discorda da forma com que esse projeto é conduzido. Na opinião do empresário, as usinas e destilarias estaduais não sobreviverão enquanto o estado mantiver alíquotas de ICMS sobre o açúcar e o álcool superiores às praticadas em estados como Alagoas, São Paulo e, agora, Minas Gerais.

Na opinião de José Ranulfo, no entanto, as vantagens oferecidas pelo governo mineiro são apenas mais uma opção de investimento para o empresariado local. Ele não acredita que ocorra uma transferência em massa de usinas para aquele estado.

Essa avaliação, porém, não é a mesma feita pelo presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana, Gérson Carneiro Leão. "Com o ICMS que se pratica aqui, vai ficando inviável produzir", diz ele, acrescentando que pretende insistir junto ao governo na reduação das alíquotas. "É uma pena que mais uma usina esteja se transferindo. Isso demonsta a insensibilidade do governo do estado em relação ao problema."

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