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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Bens do grupo Othon são bloqueados Objetivo é pagar débitos de R$ 705 mil devidos aos empregados das usinas Central Barreiros e Santo André Cesár Rocha A Justiça do Trabalho bloqueou ontem as contas bancárias e tornou indisponíveis os bens das usinas Central Barreiros e Santo André, pertencentes ao Grupo Othon. A medida atinge também os sócios e diretores das duas empresas. Tomada a partir uma ação movida pela Procuradoria Regional do Trabalho, a decisão tem o objetivo de assegurar o pagamento de R$ 705 mil em salários e encargos sociais devidos aos 2619 empregados das usinas. O bloqueio das contas foi comunicado ontem ao Banco Central pelo juiz do Trabalho do município de Barreiros, Virgínio de Sá e Benevides. Ele determinou que os sócios e diretores das usinas não tenham mais acesso às contas mantidas nos bancos Bradesco e do Brasil, em agências de Barreiros e Recife. Estão bloqueados os recursos até o limite de R$ 1,35 milhões. O Benevides decidiuque deverão ser transferidos para a Justiça os créditos que a Central Barreiros e a Santo André têm junto às usinas Cucau, Laranjeiras e Trapiche. A decisão do juiz determina que as duas empresas não poderãofazer qualquer tipo de pagamento aos seus diretores, sócios, gerentes ou acionistas. Nem mesmo de seus salários. O Grupo Othon também está obrigado a, no prazo de dez dias, entregar ao juiz toda a lista de empregados e o débito que tem junto a eles. Caso contrário, terá que pagar uma multa diária de cinco mil Ufirs - cerca deR$ 4,8 mil. O pedido de bloqueio das contas foi feito pelo procurador-chefe do Trabalho, Waldir Bitu, e pelos procuradores Manoel Guoulart, Pedro Serafim e Morse Lyra. Bitu explicou ontem que a intenção da procuradoria não é provocar a falência das usinas, mas obrigá-las a pagar o que devem a seus funcionários. Há dez meses, diz ele, vêm sendo realizadas negociações na Delegacia Regional do Trabalho com o objetivo de resolver as pendências do Grupo Othon. "As duas empresas, porém, vêm descumprindo todos os acordos firmados com os trabalhadores e continua a atrasar suas obrigações trabalhistas", ressalta. A Central Barreiros e a Santo André mantiveram a produção normal até a safra de cana-de-açúcar 96/97. Juntas, moeram 450 mil toneladas de cana, fabricando 37,5 mil toneladas de açúcar e 15 milhões de litros de álcool. Na safra passada, apenas a Santo André entrou em operação, mas com metade de sua capacidade. As empresas já vêm em dificuldades há muitos anos. Em 97, enfrentaram problemas com o Banco do Brasil e o estado por causa de dívidas que chegavam a R$ 120 milhões. Só em ICMS, as duas deviam na época mais de R$ 19 milhões. O empresário Roberto Bezerra de Melo Filho, diretor da empresa, não foi localizado. O advogado das usinas, Gilberto Mota, não quis falar. |
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