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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Opção de crédito a baixo custo ONG concede cerca de 800 empréstimos por mês, a empreendedores, cujos valores variam de R$ 70 a R$ 5 mil Fátima Beltrão Por mais difícil que seja começar um negócio, mudar de ramo ou recomeçar a vida depois de um período de desemprego, não custa tentar. Apesar da informalidade ser uma distorção do trabalho no Brasil, milhares de famílias estão sendo mantidas graças aos pais e mães de família que partiram para seus próprios negócios como forma de sobrevivência. Melhor de tudo é que eles começam na informalidade, crescem, legalizam o negócio e geram empregos. Damira Ramos mora na favela Roda de Fogo. A família estava com problemas financeiros. O irmão tinha uma loja de móveis no bairro da Mustardinha, mas fechou. Ela e a irmã Diva Ramos, junto com os maridos, pegaram os móveis e abriram uma loja dentro da favela e foram atrás de crédito. Com um empréstimo de R$ 700, elas compraram um barraco de tábua e ampliaram a loja iniciada numa casa que já era da família. Edmilson Barbosa da Silva é ex-bancário. Ficou desempregado há 4 anos. Pegou parte da indenização e começou um negócio de etiquetas emborrachadas. De início não abriuempresa, mas foi em busca de empréstimo e conseguiu. O primeiro foi de R$ 200, mas depois ele já obteve pelo menos 10 créditos. Damira e Edmilson são exceções. Apesar de serem pequenos empreendedores, acharam o caminho para levantar empréstimo. Para a maioria, começar é a questão. Pequenos empreendedores ou negociantes têm dificuldade de crédito nos bancos, que quase sempre exigem avalistas e cobram juros altos. Pois bem. É para essas pessoas que o Centro de Apoio ao Pequeno Empreendedor - Ceape-PE - trabalha. O centro concede microcrédito assistido. Parece difícil, mas não é. Talvez seja a forma mais fácil do pequeno empreendedor obter crédito no mercado. São mais de 800 empréstimos ou créditos concedidos por mês, cujos valores variam de R$ 70 a R$ 5 mil. Só este ano já foram liberados mais de 2 mil créditos, no valor de mais de R$ 2 milhões. Ao todo são mais de 3.500 clientes ativos. A maioria mulheres. (Veja quadro). O crédito mais procurado é para o comércio. Mas o cliente muda de atividade. Como se trata de pequenos empreendedores o negócio acaba sendo sazonal, ou seja, de época. No carnaval vende bebidas ou máscaras, mas no São João vende comidas de milho. O Ceape, além de conceder crédito, procura treinar os novos comerciantes. Por isso, são feitos cursos nas áreas de gerência de custos, de estoque, de controle, margem de lucro. Depois de conceder o crédito é feito o acompanhamento de quem recebeu o crédito, para saber se o dinheiro foi de fato aplicado e se o negócio está indo bem. O Ceape-PE é considerado modelo na concessão de micro créditos, entre os 13 existentes no país. Tem apenas 2% de inadimplência e a presidência nacional dessa ONG - organização não governamental - está aqui. Na avalaiação de Josias Albuquerque, presidente da Federação Nacional de Apoio ao Pequeno Empreendedor, como o Ceape-PE destaca-se dos demais vai receber no dia 8 de abril a visita do presidente do BID -Banco Interamericano de Desenvolvimento - Enrique Iglesias. Ele vai trazer mais dinheiro para o Ceape-PE, um convênio no valor de R$ 650 mil. |
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