Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

Pernambuco S/A vive no anonimato

Empresários pernambucanos desconhecem as atribuições da empresa e como vem atuando no mercado local

Glauce Gouveia
Da equipe do DIÁRIO

Uma grande empresa, criada para desenvolver Pernambuco, funções não muito definidas e um certo anonimato. Essa é a descrição feita por alguns empresários pernambucanos sobre a Pernambuco S/A, segunda instituição de capital de risco do país, criada em 92 para investir em projetos que pudessem alavancar a economia do estado. E que está com os dias contados por falta de novos empreendimentos. Dizer qual o seu papel, quais as suas atribuições e como funciona parece ser, ainda hoje - seis anos depois de sua criação -, impossível para representantes da indústria, do comércio e dos pequenos empresários. A empresa ganhou até o estigma de empresa fantasma.

A ausência de informações sobre a proposta e o modelo de atuação da Pernambuco S/A fica claro nas conversas com o empresariado. E prejudicou o desempenho das funções da instituição, que aprovou, investiu e participa acionariamente de apenas três empreendimentos desde a sua fundação. O que, aliás, é basicamente a sua função: analisar projetos, aprová-los ou não,investir no que pode dar retorno e participar minoritariamente do capital do empreendimento.

Ex-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), da Federação das CDLs e atual presidente do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), Geraldo Costa admite que chegou a participar de várias reuniões do Movimento Empresarial Pró-Pernambuco (Meppe), de onde surgiu a Pernambuco S/A.

Para Costa, a empresa foi perdendo a credibilidade junto aos lojistas, uma vez que seu nome era conhecido, mas suas funções não. Ele nunca ouviu falar em comerciantes que tenham apresentado algum projeto econômico à direção da empresa. O atual presidente da CDL, Eduardo Catão, não lembra sequer do momento de sua criação. "Não tenho muito conhecimento sobre a empresa. Não sei nem qual é a sua finalidade", afirmou.

O presidente da Federação das Associações de Micros e Pequenas Empresas de Pernambuco (Feamepe), José Tarcísio Silva, confirma ter uma noção do que vem a ser a Pernambuco S/A. "Trata-se de uma espécie de consórcio, formado por grandes empresas, que tinha o objetivo de investir em pequenas e médias empresas, mas que já nasceu fechada para o mercado", disse.

Tarcísio desconhece qualquer empresa de pequeno porte que tenha apresentado projeto de instalação, expansão ou modernização à instituição, e credita o fato à discriminação da Pernambuco S/A contra as empresas menores. "Uma pequena empresa, aquela que fatura até R$ 720 mil ao ano, não é a pequena empresa de que eles falam. Nunca fui comunicado sobre as regras da Pernambuco S/A, nem sequer convidado a participar de reuniões esclarecedoras sobre suas intenções", criticou.

O economista Maurício Romão acredita que a possibilidade de encerramento das atividades da empresa é um fato lamentável."Foi criada com uma estratégia não muito bem delineada, mas que mostrava uma reação dos empresários pernambucanos à conjuntura econômica da época", disse. Romão afirmou ainda não saber o que realmente pode ter levado a empresa a cair no ostracismo. "Não acredito que Pernambuco não tenha projetos viáveis".

O presidente do Conselho de Administração da Pernambuco S/A, Luiz Felipe Brennand, admite que pode ter havido uma falha da empresa na divulgação de suas atividades.


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