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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Católicas defendem o aborto Religiosas vão lançar em São Paulo uma cartilha contra a condenação absoluta da interrupção da gravidez SÃO PAULO - Será lançada em São Paulo, no dia 22, uma cartilha favorável ao aborto preparada pela organização Católicas pelo Direito de Decidir. O texto é dirigido especialmente às mulheres católicas mais pobres e questiona a posição da Igreja sobre o assunto. Denominada Aborto - Conversando a Gente se Entende, a cartilha foi redigida pelas sociólogas Maria José Rosado Nunes, ex-freira, e Myriam Santin Aldana. De acordo com o texto, a condenação absoluta do aborto representa a posição oficial do papa e da maioria dos bispos, mas nem todos os pensadores católicos têm a mesma opinião. Há teólogos que não consideram pecado interromper a gravidez. Para eles, a decisão sobre o assunto deve caber às mulheres e aos seus companheiros, de acordo com a consciência de cada um. COTIDIANO O texto é didático, construído a partir de situações do cotidiano das famílias. "Ele deve ser usado como subsídio nas discussões de periferia sobre esse assunto tão difícil para as mulheres pobres e católicas", explicou Dulce Xavier Secola, uma das integrantes da organização e militante da Pastoral Operária. Em uma das situações apresentadas na cartilha, fala-se da gravidez indesejada de uma mulher que já tem cinco filhos e cujo marido está desempregado. De um lado, segundo o texto, encontra-se a família à qual essa mulher deve dar atenção e a situação pessoal dela, já submetida a tantas dificuldades. Do outro, existe a possibilidade de dar à luz mais uma vida. Se a mulher optar pelo aborto, de acordo com a cartilha, não estará cometendo pecado. "Assim como se pergunta pelo respeito a uma vida em gestação, deve-se perguntar também pelo respeito à vida da mãe e dos demais familiares e pelas conseqüências de uma gravidez indesejada." E mais: "Nesse caso, é moralmente válido e religiosamente aceito que ela escolha o caminho que considera ser o melhor." Na primeira parte, a cartilha mostra as divergências do pensamento católico. Afirma que, há séculos, teólogos e bispos discutem se aborto é crime, e o pensamento da Igreja já variou de acordo com circunstâncias históricas. Santo Tomás dizia que a alma se unia ao corpo 40 dias após a concepção. |
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