Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998

PFL empaca reforma até a próxima semana

Cúpula pefelista vai se reunir na segunda para discutir estratégia

BRASÍLIA - Irritados com o que consideram quebra de confiança no relacionamento do PFL com o presidente Fernando Henrique Cardoso, os cardeais pefelistas conseguiram empacar a reforma ministerial até segunda-feira, para ganhar tempo. O partido praticamente conseguiu brecar a criação do Ministério do Desenvolvimento Urbano, mas a irritação do partido se estende à maneira como o presidente deflagrou o processo, com a indicação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério da Saúde.

"Não creio na criação desta nova pasta agora, e acho errado porque soaria como medida só para dar resultados na eleição", criticou, ontem, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). De malas prontas para deixar a embaixada brasileira em Lisboa no domingo, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, reunirá a executiva nacional do partido na segunda-feira. Ele adiantou a amigos que não vai procurar o presidente antes da conversa com a cúpula pefelista.

"O Jorge sente-se apunhalado pelas costas, por Fernando Henrique, que lhe garantiu que nada de novo aconteceria até sua volta de Portugal, prevista para o dia 29", contou o dirigente do partido. Quando o presidente do PFL deixou o Palácio do Planalto há dez dias, defendendo a indicação de técnicos para o lugar dos ministros candidatos às eleições gerais de outubro, o fez a pedido de Fernando Henrique.

O acerto feito no Planalto foi o de que qualquer novidade seria informada a Bornhausen ou ao vice-presidente Marco Maciel (PFL). Mas Fernando Henrique decidiu nomear Serra ministro da Saúde e transferiu o ministro do Trabalho, Paulo Paiva (PTB), para o Ministério do Planejamento sem dar satisfações aos cardeais pefelista. "O Marco também se sentiu traído e está sendo cobrado pelo partido, porque não sabia de nada", conta o cardeal. ACM afirmou que seu partido não fará nenhuma indicação oficial para as vagas do PFL no Ministério. Segundo o presidente do Senado, a bancada apenas reagiu à mudança das regras do jogo.


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