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| Recife, Quinta-Feira, 26 de Março de 1998 |
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Fogo em Roraima divide governo Militares são contra ajuda da ONU. Presidente vai ao estado negociar a intervenção para apagar incêndio BOA VISTA E BRASÍLIA - A oferta de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU) para combater o incêndio em Roraima foi rejeitada pelos militares e aceita pelo governo. Para aparar arestas, o presidente Fernando Henrique Cardoso convocou para hoje, às 17h30, no Palácio do Planalto, uma reunião da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden). Por sugestão de assessores, preocupados com as conseqüências políticas e a repercussão internacional do desastre, Fernando Henrique deve visitar a região na próxima semana. A decisão de fazer a reunião foi tomada horas depois de uma entrevista do comandante da Primeira Brigada de Infantaria de Selva, general Luiz Edmundo Carvalho, em que o oficial, chefe das operações de combate ao fogo, rejeitou a oferta da ONU. "Não é necessária ajuda do exterior", afirmou Carvalho. Ele argumentou que o Comando Militar da Amazônia dá toda a ajuda necessária às operações. HELICÓPTEROS "Já recebemos cinco helicópteros, sendo três do Exército e dois da Força Aérea Brasileira", relatou. Mesmo sem saber o tipo de ajuda oferecido pela ONU, Carvalho foi categórico: "Não preciso". Apesar da oposição do general - que deu entrevista ao lado dos responsáveis pela Comunicação Social do Exército - o governo aceitou a ajuda da ONU. Segundo o porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, Carvalho teria sido vítima de um mal-entendido. "Provavelmente houve equívoco", disse. "Existem duas possibilidades de ajuda da ONU: a ajuda de especialistas em combate a incêndios, que está sendo providenciada; outra foi um outro tipo de ajuda que chegou a ser mencionada pela imprensa que é o envio de capacetes verdes, batalhões especializados em incêndio, que não existem ainda", comentou Amaral, atribuindo a recusa do general à rejeição da idéia de ver capacetes verdes na Amazônia. "Isso (os capacetes verdes) só poderia ser uma solução de médio prazo em relação a qual existem muitas dúvidas, de muitos países e da própria ONU." PRESENÇA ESTRANGEIRA O general Carvalho participará da reunião da Creden,no Planalto. Oficiais confirmam, porém, que o Exército é contra a ampliação da presença estrangeira na Amazônia e tem resistência à atuação de organismos internacionais na região. Eles argumentam que o Brasil tem que ter capacidade de resolver os problemas do país, de forma independente. Nos 350 a 400 anos em que o Exército ocupa a área nunca houve incêndio semelhante, enfatizam os militares. "As pessoas podem entender de outras coisas mas, de Amazônia, entendemos nós", adverte um dos oficiais consultados. Ele lembra que o Exército apenas foi chamado para participar do combate ao incêncio em Roraima em dia 19 de março e que só então assumiu o comando da operação. Os militares lembram ainda que a região de floresta tropical úmida nunca pegou fogo e sofre agora principalmente por causa da baixa umidade, nunca registrada na região. EL NIÑO O argumento foi incorporado ao discurso oficial do governo. "Existe um fato concreto que é uma mudança drástica do comportamento climático nesta região da Amazônia em decorrência do El Niño", disse o porta-voz Sérgio Amaral. Ele não endossa, porém, as reivindicações dos militares de atuação autônoma na Amazônia. "A posição do governo a respeito é a de que alguns países tem efetivamente mais experiência e mais tecnologia no combate ao incêndio em florestas", declarou. "Toda ajuda internacional de especialistas, evidentemente coordenada pelo governo brasileiro, será bem recebida." O Ministério das Relações Exteriores e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já começaram a discutir a forma como se dará a ajuda da ONU, em reunião hoje à tarde, em Brasília, com o chefe do Departamento de Temas Especiais do Itamaraty, embaixador Antônio Augusto Dayrell de Lima, e representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A ONU deverá organizar o envio de peritos a Roraima, para determinar o que falta para controlar a situação. ARGENTINA E VENEZUELA Até agora, o Brasil só recebeu ajuda da Argentina e Venezuela, que têmatuação restrita. Os venezuelanos estão somente na fronteira e os bombeiros voluntários argentinos são comandados por oficiais do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. São os argentinos que parecem ter melhor conhecimento das técnicas para combater o fogo e, enquanto o governo brasileiro não pôs sequer um avião em operação na área, helicópteros argentinos ajudam os bombeiros. |
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