Recife, Quarta-Feira, 25 de Março de 1998

Depressão atinge 6% da população brasileira

Estudo conclui que doença cresce entre as crianças e adolescentes

RIO - Pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nos últimos 12 anos, concluiu que 6% dos brasileiros sofrem de depressão. O estudo constata, ainda, o crescimento da doença entre crianças e adolescentes a partir de 1996. Segundo o coordenador do trabalho, o professor de Psiquiatria da UFRJ e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Antônio Egídio Nardi, 15% dos suicídios registrados no país são causados por depressão grave.

CONFUSÃO

A pesquisa foi feita com 1.300 pacientes do instituto e mostra ainda que existe uma certa popularização da doença, porque as pessoas confundem depressão com tristeza. Ela estará detalhada no livro Questões Atuais Sobre a Depressão, de Antônio Nardi, que será lançado dia 27, no Rio, pela Lemos Editorial. De acordo com o psiquiatra, a possibilidade de depressão entre os jovens é maior quando ocorre isolamento social, ausência de atividades esportivas, perda de interesse, queixas físicasvagas, queda repentina no rendimento escolar, uma necessidade constante de chamar a atenção e sentimento de culpa.

Preocupada com a falta de informações sobre a doença, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma campanha de esclarecimento sobre a depressão, da qual Nardi é seu divulgador no Brasil. "A depressão é uma ausência de perspectiva, com a qual se perde a capacidade de imaginar o futuro", explicou o psiquiatra. Ele observou ao longo da pesquisa que o risco de suicídio para os que sofrem de depressão grave é maior entre os jovens de 15 a 17 anos. "Quando há entre eles um prejuízo da relação familiar, social ou de trabalho, a idéia de morte é um dos sintomas principais".   

Desvio de remédios no Ministério da Saúde

BRASÍLIA - Desperdício, negligência e indícios de uso eleitoral de remédios distribuídos pelo governo foram identificados por uma auditoria, em fase de conclusão, no Ministério da Saúde. A auditoria mostra que a extinção da Central de Medicamentos (Ceme) pode ter reduzido a atuação dos cartéis formados por laboratórios no superfaturamento de preços, mas não impediu irregularidades no setor. Sanear a área de medicamentos será um dos desafios do futuro ministro da Saúde, o senador José Serra (PSDB-SP).

O governo, segundo o secretário-adjunto de Projetos Especiais do ministério, Platão Fischer-Pühler, terá de se preocupar em garantir o controle da distribuição dos medicamentos, a partir deste ano, com a descentralização para estados e municípios de R$ 200 milhões destinados à compra de medicamentos. Será necessário exigir das prefeituras previsão dos medicamentos necessários, com base na população e no perfil de doenças da localidade.

Segundo Pühler, os desperdícios da antiga Ceme mostram que é necessárioo planejamento nos municípios. "Pelos planos da Ceme, gastaríamos R$ 2 mil por farmácia básica (conjunto de remédios essenciais) distribuída aos municípios, mas cortamos superfaturamentos e conseguimos reduzir o custo pela metade". Os conselhos estaduais e municipais de saúde terão de prestar atenção também nos riscos de desvios, alerta Pühler.

Pessoa relata cassação de pianistas

BRASÍLIA - O presidente interino da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Nelson Otoch (PSDB-CE), anunciou que o deputado Silvio Pessoa (PMDB-PE) será o relator do processo de cassação dos deputados José Borba (PTB-PR) e Valdomiro Meger (PFL-PR), envolvidos no caso de pianismo no plenário. Silvio Pessoa estimou em um mês o prazo para concluir o relatório e não quis emitir nenhum juízo sobre a ação dos pianistas porque disse que pretende atuar no caso como magistrado.

FHC retoma viagens pelo interior

BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso retoma sexta-feira as viagens pelo interior do país para, desta vez, inaugurar um trecho da duplicação da Rodovia Fernão Dias, que liga Minas Gerais a São Paulo. Apesar de negar que esteja em campanha, Fernando Henrique está intensificando as ações. Desde a semana passada, está participando de programas de televisão e concedendo entrevistas exclusivas para se fazer presente na mídia, divulgando os programas de governo. FHC já disse ter até junho para decidir se é candidato e afirmou que, no momento, as condições são favoráveis à disputa. Depois de junho, comentou, não será mais possível recuar e, daí, vai até o fim, mesmo que não seja para ganhar. Mas, é claro, afirmou, é preferível ganhar.

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