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| Recife, Segunda-Feira, 23 de Março de 1998 |
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Serra assume Ministério da Saúde Paulo Paiva vai para o Planejamento e Cutolo deve ser ministro do Trabalho BRASÍLIA - O senador José Serra (PSDB-SP) finalmente aceitou o convite do presidente Fernando Henrique Cardoso e será o novo ministro da Saúde. A decisão foi comunicada, ontem, ao presidente, por telefone e anunciada, oficialmente, pelo Palácio do Planalto. O ministro do Trabalho, Paulo Paiva, será o sucessor do atual ministro do Planejamento, Antônio Kandir, candidato à reeleição como deputado federal pelo PSDB paulista. Para o lugar de Paiva deverá ir o atual presidente da Caixa Econômica Federal, Sérgio Cutolo. O novo Ministério já começa a se definir com: José Serra, na Saúde, Paulo Paiva, no Planejamento, Sérgio Cutolo, no Trabalho, e Eliseu Padilha, nos Transportes. Pelo menos em 50%, já é um Ministério para 99, caso o presidente vença as eleições de outubro. Ontem, Fernando Henrique se reuniu no Palácio da Alvorada com Paiva, Cutolo, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Nem Paiva, nem Cutolo falaram com a imprensa, mas dirigentes do PTB mineiro, partido ao qual Paiva é filiado, dão como certo o novo arranjo. "A conversa ainda é informal, mas o convite já foi feito e o Paiva até definiu que vai levar para o Planejamento o seu secretário-executivo no Trabalho, Antônio Anastasia", afirmou um dos líderes do PTB em Minas Gerais. Segundo esta fonte, pesou para a escolha o fato do PTB em Minas ter como maior expressão o ex-governador Hélio Garcia, que controla parte do PSDB mineiro e é aliado do governador tucano Eduardo Azeredo. Desta maneira, não haveria perda de poder expressiva do PSDB ao ceder o Planejamento para o PTB, sobretudo com a entrada do senador José Serra (PSDB-SP) no ministério da Saúde. Além disso, Paiva mantém diálogo com o ex-presidente Itamar Franco. Três mil vêem Central do Brasil no Sertão Michelle de Assumpção CRUZEIRO DO NORDESTE - Mais de três mil pessoas lotaram a praça central do povoado de Cruzeiro do Nordeste (município de Sertânia, a 320 Km do Recife) para assistir, ontem à noite, ao filme Central do Brasil, do cineasta Walter Salles Jr. Além do diretor e da atriz Fernanda Montenegro, premiados no Festival de Berlim, uma comitiva de políticos liderada pelo governador Miguel Arraes participou da festa armada para receber os artistas. Grande parte do filme foi produzida no povoado, com uma parcela dos 620 habitantes do lugar como figurantes. A festa destinada a recepcionar o elenco e o diretor do filme começou cedo. Por volta das 16h, habitantes das cidades vizinhas já lotavam a praça central, onde foi montada uma quermesse. Os artistas chegaram logo depois. Fernanda Montenegro, a mais festejada de todos, deu dezenas de autógrafos e, emocionada, doou R$ 200 para um agricultor da região, que conseguiu chegar até ela e pediu uma ajuda para resolver problemas de saúde. Apesar de emocionados, os artistas fizeram questão de desvincular a visita dos políticos ao povoado à presença de todos eles. "Não estamos fazendo campanha de ninguém", alertou Fernanda Montenegro, amiga pessoal do governador. Walter Salles aproveitou para alfinetar. "Quando viemos filmar, há dois anos, não havia água e os políticos da região me prometeram que, quando eu voltasse para exibir o filme, haveria água. Estou aqui, a água não", criticou. Morre o humorista Brandão Filho RIO - A televisão brasileira perdeu neste fim de semana um de seus maiores humoristas. Brandão Filho, que estava internado com câncer há 42 dias no hospital Rio Mar, morreu às 4h30 de ontem, após duas paradas cardíacas. O corpo do ator foi sepultado no próprio domingo à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap (zona Oeste). Brandão Filho estava com 88 anos e já havia sido internado antes, por 15 dias, no Instituto Brasileiro do Coração, após um infarto. Antes disso, há três meses, ele perdeu o irmão, Afonso Brandão, que era redator de programas humorísticos. O ator era um dos últimos representantes de um tipo de humor instintivo e popular que marcou os comediantes da era do rádio. Careteiro e com uma inflexão de voz maliciosa, Brandão criou bordões que ganharam a boca do povo, como o mata o velho, mata. |
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