(Atualizado no dia 17/3/1998)
Agência Estado Prepare-se para uma viagem de emoção e aventura. O destino: Orlando, ou melhor, os tantos parques - verdadeiros reinos da fantasia - que são a razão de ser do antigo vilarejo de laranjais

Orlando não pára de crescer

O vilarejo de 26 anos atrás tornou-se metrópole e possui hoje a maior concentração hoteleira do mundo

Ariane Costa
Da Equipe do DIÁRIO

Não foi à toa que Orlando se tornou o maior e mais visitado destino turístico do planeta. Lá, tudo é movido a muita adrenalina e tecnologia de ponta. Essa alquimia fez do vilarejo de 26 anos atrás, que sobrevivia do cultivo de laranjas, um dos dez maiores pólos de desenvolvimento dos Estados Unidos, segundo contas da revista Newsweek.

Magia, humor, surpresa e terror. Todas as sensações que cada turista vai sentir são criteriosamente planejadas e detalhadamente estudadas. Tudo funciona como numa peça de teatro. Os parques são os palcos. Um staff de funcionários representa o papel de ator. Os textos, claro, sempre estão na ponta da língua e com as entonações necessárias para prenderem a atenção de qualquer ouvinte. E nós, o público, gostamos tanto que pedimos bis.

A competência com a qual o elenco desempenha o seu papel é tamanha que, por um momento, acreditamos que estamos vivendo um sonho. E não importa se você é adulto ou criança. Todos querem a mesma coisa. E aí entendemos o porquê de Orlando ser conhecida como a capital mundial da fantasia.

Na cidade do Mickey, tudo é possível. O falso parece verdadeiro. De repente, estamos numa Nova York fabricada com material sintético e cinco minutos depois descobrimos que cruzamos cinco mil milhas ao nos depararmos com uma perfeita réplica do Porto de São Francisco.

Alguns metros adiante, achamos que vamos relaxar numa atração simples e saimos tontos de tanto insistir em cumprimentar simpáticas figuras que vão ao nosso encontro e desaparecem na penumbra. Eram apenas projeções holográficas.

Na atração Querida Encolhi a Platéia, você toma um susto atrás do outro, principalmente quando uma cobra ninja sai da tela e passeia em meio ao público. E não adianta sentar na última fileira não, hein !

As surpresas não param por aí. As focas são de verdade, mas cantam. Bastam um movimento sutil dos treinadores, óculos escuros e um microfone junto ao bigode para arrancarem gargalhadas de crianças e adultos. Os golfinhos também deslubram e encharcam o público com seus saltos quase inacreditáveis e harmoniosas coreografias. Para dar um tempo, só sentando em um dos muitos banquinhos das floridas pracinhas e apreciar um Mickey rapper, ciclista ou patinador que certamente irá passar por ali e fazer-lhe um alegre cumprimento.

MECA

Nenhuma conta parece impossível no mundo mágico de Orlando. O problema é apresentar algum número e poder garantir que na temporada seguinte ele já não esteja defasado. Mas, vamos lá. O pantanoso e ensolarado recanto que há 26 anos recebia milionários novaiorquinos em fuga do inverno rigoroso tornou-se a meca dos cerca de 15 milhões de turistas por ano.

Só no Ano Novo, os parques chegam a receber, por dia, até 100 mil visitantes. A cidade oferece cerca de 90 mil apartamentos e centenas de leitos são erguidos a cada temporada, o que faz de Orlando o local que tem a maior concentração hoteleira do mundo. E olha que não estamos nem considerando as milhares de casas de aluguel por temporada.

Só no grupo Walt Disney World Resort, existem mais de 42 mil funcionários. Todos passam por uma universidade, com endereço em Orlando mesmo, criada exclusivamente para treinar todo aquele staff mencionado no início do texto. O número de ligações telefônicas que a Central de Atendimentos da Disney World recebeu no ano passado ultrapassou a casa dos cinco milhões.

Nos últimos 26 anos, estima-se que 1,5 milhão de óculos escuros foram parar no setor de Achados e Perdidos do Walt Disney World Resort (complexo Disney, que inclui também os parques e hotéis). As famosas orelhas do Mickey, símbolos oficiais de Orlando, são comercializadas numa quantidade tal que a cada ano elas poderiam cobrir a cabeça de todos os habitantes de Maceió. Mas, certamente o número que mais impressiona é o de chicletes vendidos no local: 0. Exatamente. Nenhuma goma de mascar é comercializada nos parques de Orlando. Lá, a limpeza está acima de qualquer coisa e o chiclete além de grudar é difícil de limpar. Não é proibido levar o seu na mochila, mas por favor não perpetue a fama que os brasileiros têmde mal-educados e joguem o seu no lixo.

A conta mais expressiva, entretanto, é a de que em cada dez turistas que fazem esse roteiro, nove querem voltar. São pessoas entre elas muitos, mas muitos adultos que sempre encontrarão novas aventuras por lá, pagarão o que puderem pelo prazer de senti-las, comprarão alguma lembrança para guardá-las e provavelmente farão de tudo para no ano seguinte poderem revivê-las.

A repórter viajou a convite da Janga Turismo.


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