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| (Atualizado no dia 18/3/1998) |
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Brinquedos inteligentes A robótica sai das salas de aula e conquista a preferência das crianças americanas Regina Lima WASHINGTON - Pense numa casa com criança e automaticamente vem à mente a imagem de tijolinhos da Lego (aqueles cheios de pininhos de plástico) espalhados pela casa. Normalmente, eles ficam espalhados porque depois de construírem e destruírem casas e prédios, as crianças perdem o interesse pela coisa. Pois bem, a partir de agosto desse ano esses tijolinhos vão ganhar chips e, ao invés de casas e castelos, eles possibilitarão a confecção de robôs. Esses robôs serão bolados pelas crianças ajudadas por um programa de computação gráfica. Pode apostar que esses tijolinhos cheios de chips não vão mais ficar espalhados pela casa. Você pode imaginar os pequenos envolvidos no planejamento, digamos, de um carro para exploração da superfície lunar ou de um objeto voador nada parecido com os aviões convencionais? Mas é exatamente essa a idéia que levou a Lego a criar o Mindstorms, que está sendo considerado como uma das grandes novidades no mercado crescente dos brinquedos interativos. O Tamagochi que se cuide. O Mindstorms vem para atrair crianças, a partir dos 11 anos, e adultos. Claro que a novidade exige, no mínimo, um computador como base de operação do programa de planejamento dos tais robôs. Além disso, o produto deve chegar no mercado custando cerca de US$ 230. Um brinquedo carinho, mas pela reação das pessoas que o estão testando aqui nos Estados Unidos, essa coisa de construir o seu próprio robô em casa tem tudo para pegar. O Mindstorms ainda não chegou ao mercado, mas já tem uma home page: http://www.legomindstorms.com. Nesse site a Lego, que é uma empresa dinamarquesa, explica todo o mecanismo do brinquedo e mostra os robôs que já foram criados por crianças e cientistas. Uma das invenções mais incríveis é uma máquina de fazer cópias, feita exclusivamente com os bloquinhos da Lego. Outra bem criativa é a Bomber Fly, uma mosca que sobrevoa a sala sob o comando do mouse do computador. MICROCHIP Na prática, os blocos do brinquedo são os mesmos. A diferença é que eles são comandados por um bloco maior, chamado de RCX, que contém uma bateria e um microchip semelhante ao de um aparelho celular. O chip recebe impulsos dos sensores que a criança acopla nos blocos, faz o processamento de dados e obedece aos comandos programados pelo software que acompanha o brinquedo. Na verdade, o software e o microchip são o cérebro da coisa. O planejamento dos robôs é feito na tela do computador, através de linguagem gráfica especialmente criada para o brinquedo. O que a criança vai ver na tela são blocos e linhas que representam cada movimento. Manipulando esses blocos na tela, a criança vai criar a seqüência dos movimentos do robô. Quando o projeto está pronto, as informações são transmitidas ao robô por controle remoto. Os robôs do Midstorms têm sensores que os permitem evitar a borda de uma mesa, por exemplo, ou navegar entre livros, evitando esbarrar em objetos. Os robôs também podem tocar musiquinhas enquanto se movimentam. Todas essas qualidades estão detalhadas num CD-ROM que traz instruções em linguagem gráfica atraente para as crianças, além de exemplos de robôs que podem ser construídos. A Lego começou a fazer os famosos tijolinhos em 1949. Em 1962, a empresa acrescentou rodas, o que foi seguido da inclusão de outras peças que permitem às crianças construírem vários objetos que se movem, como caminhões e até mesmo bonecos. A inclusão do chip é a seqüência lógica desses avanços. Desde 1986 que a Lego vem estudando protótipos para a criação de um tijolo programável. A idéia só chega no mercado agora por causa do aumento da quantidade de computadores pessoais. TAGARELAS Sem dúvida, o Mindstorms da Lego vai ser uma das novidades das prateleiras das lojas de brinquedos no Natal desse ano. Mas ele não estará só. O mercado dos brinquedos interativos está crescendo e já está muito além da nova geração de virtual pets. No Natal de 1997, o brinquedo mais badalado nos Estados Unidos foi o Actmate Barney. Barney é um dinossauro rosa choque que os americanos menores de cinco anos simplesmente idolatram. A versão interativa do Barney conversa com as crianças, o que vai um pouco além do Tickle-me Elmo que fez sucesso em 1996. Esse ano o Barney tem novos companheiros: personagens de filmes da Disney, como Godzila e Perdidos no Espaço, além de Garibaldo da série de TV Vila Sésamo. Todos eles contam estórias, cantam e respondem perguntas das crianças. A mais completa tradução dessa fase da indústria interativa dos brinquedos é a boneca Amazing Amy, da Playmate. Essa boneca tem um relógio interno que a faz acordar pela manhã e dormir à noite. Durante o dia, Amy fala sem parar. Os chips de Amy elaboram 15 mil palavras e permitem que ela fale o que quiser, na hora que quiser. Quer dizer, no final das contas, essa interatividade toda pode ser traduzida numa coisa só: brinquedos tagarelas. Eu prefiro os robôs cantantes. |
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