|
|
| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
|
|
Secretário é contribuinte padrão Everardo Maciel nunca atrasou a entrega do Imposto de Renda, desde a primeira vez que declarou, em 1968 Leianne Correia O cidadão Everardo de Almeida Maciel é o tipo do contribuinte que o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, pediu a Deus. Nunca entregou a declaração de Imposto de Renda fora do prazo. Tem todos recibos dos gastos dedutíveis, do ano, separados numa pasta. Se tem imposto a pagar, sempre faz numa única cota. E, pasme: tem todos os comprovantes de entrega de suas declarações, desde 1968, quando começou a prestar contas ao leão. "Digamos que tenho uns tiques muito pessoais. Quem me conhece sabe que gosto de organização", define Maciel. Desde que começou a declarar o imposto de renda, Maciel diz que sempre fez a declaração sozinho. Inicialmente, no próprio punho, quando o contribuinte só dispunha da opção dos formulários. Sua organização chegava ao cúmulo de datilografar, numa ficha, os resumos de todas as despesas médicas, para facilitar o preenchimento. O secretário fala que, hoje, gasta, cerca de 30 minutos, para preencher todos os dados da sua declaração. JUSTO Com uma resposta exemplar na pontada língua, Everardo Maciel acha justo o imposto que paga. Segundo ele, na maioria das vezes que declarou, teve mais imposto a pagar do que a restituir. No ano passado por exemplo, o secretário teve de pagar à Receita Federal. Sempre que isso acontece, o pagamento é feito numa única cota. "É uma decisão pessoal minha. Não gosto de ter compromissos com prestações", afirma Maciel. Adepto da informática, o secretário só faz sua declaração em disquete e envia pela internet. Mas, nem por isso, deixa para fazer na última hora. "Sempre gosto de entregar no início de abril. Geralmente, chamo a imprensa, até para lembrar o prazo para os contribuintes", observa Maciel. Antes, quando as datas de entrega da declaração era adiadas constantemente, Everardo Maciel lembra que ficava chateado com a falta de respeito com os contribuintes que cumpriam suas obrigações no tempo certo. DICAS Apesar do cargo que ocupa, Maciel não dá a menor brecha para familiares e amigos preenchendo suas declarações. Quem quiser que leia o manual e se vire sozinho. "Não faço a declaração de ninguém, além da minha. A declaração é uma coisa muito pessoal. Não faço isso nem para meus filhos", revela o secretário. No máximo, o que se pode conseguir dele é um esclarecimento sobre alguma dúvida. Dicas de como driblar o leão? Nem pensar. "Não uso qualquer artifício. A declaração é a expressão máxima da cidadania do contribuinte e tem que ser verdadeira", discursa o secretário. Ele garante que não faz planejamento tributário, usando apenas as deduções que tem direito. Nada de abatimentos por causa de doação para entidades filantrópicas. "Faço doação, mas não deduzo porque sou contra esse tipo de dedução", afirma categoricamente. O leão é impiedoso até mesmo com quem, hoje, é seu representante máximo. Maciel confessa que, há algum tempo, foi pego na malha fina. Injustamente, segundo jura. "Fiquei intrigado quando descobri que tinha ficado em malha, porque sou muito rigoroso com minha declaração. A Receita alegou que eu não tinha relacionado na declaração cada um dos meus pagamentos a terceiros usados para dedução. Mas mostrei ao técnico que o manual não exigia isso e, claro, mostrei no ato todos os comprovantes", conta. Logo que assumiu a secretaria, incluiu a obrigatoriedade da relação dos pagamentos no manual. Como contribuinte, ele destaca a declaração simplificada, os novos meios de entrega, como em disquete e pela internet como melhorias no Imposto de Renda de Pessoa Física. Desde o ano passado, é possível enviar a declaração através da rede de computadores. Ele é o maior garoto-propaganda para este tipo de entrega. Pelas inovações tecnológicas do IR, além dos serviços oferecidos pela home page (página) da Receita, Maciel ganhou o prêmio Top Internet. |
|