Recife, Domingo, 22 de Março de 1998

Adição maior de álcool à gasolina deve ser aprovada

Conselho Interministerial vai discutir assunto na quarta-feira

BRASÍLIA - O aumento da mistura do álcool anidro na gasolina dos atuais 22% para 24% deverá ser aprovado na primeira reunião do Conselho Interministerial do Álcool (Cima), marcada para a próxima quarta-feira. O Cima, integrado por nove ministros e criado no ano passado para revitalizar o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), deverá analisar também medidas de estímulo para a renovação da frota de carros a álcool com mais de dez anos de uso e definir o que será feito com o excedente da produção de álcool.

O principal desafio, no entanto, na avaliação do presidente da Frente Parlamentar Sucroalcooleira, deputado Hélio Rosas (PMDB-SP), é conseguir restaurar a confiança no Proálcool. "Para retomar a produção, é preciso ter procura", disse Rosas. Os representantes do setor privado que integram o conselho consultivo do Cima consideram mais urgente uma solução para o excedente de 1,8 bilhão de litros de álcool da atual safra recorde.

E reivindicam ainda o cumprimento da "lei do estoque estratégico", que poderia aliviar as usinas, desde que o governo se dispusesse a bancar a estocagem estimada entre R$ 500 milhões e R$ 900 milhões. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Álcool, Gustavo Maranhão, afirmou que o pedido é justo. "O setor produziu exatamente o plano de safra previsto pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT), mas o consumo previsto é que caiu", argumentou.

Maranhão disse que há consciência no governo da necessidade de revitalização do Proálcool, não apenas para a manutenção dos empregos criados pelo programa mas também pela balança comercial e por questões ambientais. "O governo deverá sinalizar regras claras para que o setor possa ser competitivo", disse Maranhão.

EXCEDENTE

Já o consultor do setor sucroalcooleiro Pedro Robério, observou que a indefinição sobre o que fazer com a sobra de álcool no País começa a afetar a comercialização de açúcar no mercado internacional. "O mundo inteiro está entendendo que essa sobra de álcool hoje poderá refletir numa maior produção futura de açúcar, e já houve uma queda de 25% nos preços", disse Robério, assegurando que pode haver uma perda de divisas nas exportações do produto de até R$ 400 milhões.


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