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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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Assunto vira tema de várias obras Quando criança, William Budges, alimentava o mesmo sonho de milhões de famílias no mundo. Ele pensava que, no futuro, por volta do ano 2000, todos trabalhariam pouco, cerca de 30 horas por semana, e teriam mais tempo para desfrutar do lazer e da convivência com a família. Budges cresceu, transformou-se num dos mais famosos consultores de empresas dos Estados Unidos e registrou num livro: o sonho acabou. Escreveu Um Mundo sem Empregos para dizer que, nos próximos 40 anos, uma parcela pequena da população trabalhará 60 horas semanais e o restante estará à margem do mercado, sem emprego. Budges, porém, é apenas um dos diversos autores que têm anunciado em todos os continentes que a história está encerrando mais uma de suas etapas, ao acabar com aquilo que nos acostumamos há dezenas de anos: o serviço regular durante doze meses, oito horas por dia. Mas o consultor ainda é otimista em comparação com outros autores. Ele acredita que surgirão novas atividades econômicas para substituir os empregos anulados pelo avanço tecnológico e a globalização. Catástrofe maior, quase uma ficção científica, está em O Fim dos Empregos, do economista Jeremy Rifkin, também dos Estados Unidos. Bestseller e escrito em tom de anunciação do fim do mundo, seu livro tenta mostrar que não adianta promover programas de capacitação em massa, para que os trabalhadores desqualificados possam ser absorvidos pelo mercado. Na opinião de Rifkin, simplesmente não haverá vagas para a maior parte da população do mundo. O economista avalia que a economia internacional, dominada pela alta tecnologia, será administrada por uma elite com funções múltiplas e extremamente qualificada. Aos marginalizados, assegura, restará a inevitável opção de criar um terceiro agente da economia global, com o mesmo status dos Estados e do mercado, para garantir sua sobrevivência. Esse setor mobilizaria as pessoas para trabalhos comunitários e assistenciais - seria uma espécie de ONG. Com consistência científica ou não, o tema é tratado também em A Armadilha da Globalização - O assalto à democracia e ao bem-estar social, de Hans-peter Martin e Harold Schumann. E ainda em Adeus ao trabalho?, do brasileiro Ricardo Antunes. |
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