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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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Desqualificados ficarão na segunda classe A década que se encerra em 2005 reservou, sem privilégios, uma posição de segunda classe para os trabalhadores brasileiros sem qualificação, aqueles que estudaram, no máximo, até o primeiro grau. Para essa parcela do povo, restarão os piores empregos e os mais baixos salários. Sobrará também a maior cota de desempregados. A melhor fatia do mercado de trabalho no período de 1985/2005 já está reservada aos qualificados - como é classificada a gente que entregou nove anos de sua vida aos estudos e, no mínimo, esteve próxima de concluir o segundo grau. Traduzindo em números, o cenário de 2005 é o seguinte. Ao final da década, o desemprego entre os desqualificados pode alcançar uma taxa de 5,4%. E atingir apenas 2% da força de trabalho melhor preparada. O problema de tais números é a evolução da distância entre os níveis de desemprego das duas classes de trabalhadores. No início do período, em 95, a diferença era de apenas 0,5%. Estima-se agora 3,4%. E pode crescer ainda mais do que o previsto, já que esse cenário está entre os positivos traçados pelos economistas Ricardo Paes de Barros, Miguel Foguel e Rosane Mendonça. Os três desenham o cenário num estudo desenvolvido para o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), chamado Perspectivas para o Mercado de Trabalho Brasileiro ao Longo da Próxima Década. Antes de chegar às conclusões negativas para os menos qualificados, os técnicos precisaram usar como referência a hipótese de que, na década estudada, o nível salarial e a taxa de desemprego nacionais se manterão no mesmo nível de 95. EVOLUÇÃO Antes mesmo de prever as distorções do mercado de trabalho, os economistas registram que a oferta de vagas no Brasil crescerá de 71 milhões para 95 milhões. Uma evolução que, em relação à quantidade, beneficiará a mão-de-obra de segunda classe. Do total de postos de trabalho ofertados em 2005, 60 milhões serão ocupados por quem não chegou ao segundo grau. Isso quer dizer que, em dez anos, o país oferecerá a essa parcela do povo 17 milhões de novas vagas. A qualidade de tais vagas, avaliam os técnicos do Ipea, é que indica a distorção e o problema social do mercado. Tomando como base os mesmo critérios do estudo, os três mostram como haverá uma diferença ainda maior entre os salários pagos de acordo com a qualidade da mão-de-obra. Enquanto a média de remuneração dos qualificados deve crescer 61%, no período, a dos demais não passará de 37%. Na opinião dos economistas, o aumento da diferença revela que a mão-de-obra qualificada continuará, em 10 anos, insuficiente para atender à demanda do mercado brasileiro. |
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