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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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O futuro dos trabalhadores Poucas profissões vão conseguir escapar, como definem especialistas, da terceira revolução industrial César Rocha Do simples datilógrafo ao engenheiro ou comerciante. Poucas são as profissões que escapam daquilo que especialistas resolveram chamar de a terceira revolução industrial ou o fim dos empregos. Muitos, dizem eles, seremos vítimas de um mundo de trabalhadores marginalizados. Catastróficos ou não, governos, economistas e consultores ainda vacilam ao tentar indicar para onde caminha o mercado de trabalho. Observam indecisos o fechamento de postos de trabalho nos setores tradicionais da economia; a decadência de profissões; e a ascensão ou surgimento de outras. Por enquanto, os especialistas apontam apenas tendências. Avaliando dados do Ministério do Trabalho, vêem que profissões como as de contadores, secretários, metalúrgicos, bancários e agrônomos estão em decadência aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Constatam ainda que o emprego está sumindo em quase todos os setores. O primário (da agropecuária) é um exemplo. Há dois anos, empregava 22% da força de trabalho do país. Em 2005, deve responder, por 15%. Aindústria reduzirá sua contribuição de 21% para 18% - como mostra estudo do Ipea. É no setor de serviços, porém, onde surgirá o maior número de vagas. De 36 milhões de postos há dois anos, deve passar a absorver 56 milhões em 2005. Evoluções como essa está associado ao desempenho das profissões no Brasil. Em quase uma década, entre 86 e 94, o país fechou 56,6 mil vagas para pessoas que ocupavam funções de chefes administrativos de contabilidade e finanças. Esse número faz parte de num levantamento feito pela economista Valéria Pero, pesquisadora do Ciet, unidade do Senai do Rio de Janeiro. Pero analisou os registros do Ministério do Trabalho. No estudo, ela apresenta a evolução do números de postos de trabalho de 83 atividades diferentes, cada uma reunindo diversas profissões. Faz comparações com pesquisa semelhantes realizada nos Estados Unidos e indica no levantamento a extinção nas empresas de quase 150 mil vagas de dentistas, veterinários e enfermeiros. Apresenta também uma queda de 11,8 mil no número de biologistas e engenheiros agrônomos. O lado positivo do balanço é a ascensão em outras áreas. Entre 86 e 94, nada menos que 604,4 mil vagas foram abertas aos trabalhadores de serviços administrativos e limpeza. Outras 544,5 mil atenderam aos professores desempregados. O mesmo aconteceu com cozinheiros, comerciários e economistas. É na avaliação de todos os recados transmitidos pelos números da economista do Ciet, no entanto, que os especialistas divergem. Pero afirma que o mercado de trabalho evolui para a divisão da mão-de-obra entre uma elite tecnológica e uma massa enorme de desempregados ou subempregados. Mas a opinião dela é oposta à do economista Roberto Cavalcanti, especialista em mercado de trabalho. Para ele, há hoje uma profunda mudança qualitativa na economia mundial. O emprego formal, diz, transforma-se em ocupação - sem o tradicional expediente e a carteira assinada. Quanto às oportunidades de trabalho, Cavalcanti é menos pessimista: "Estamos saíndo de uma economia baseada na produção de bens materiais para uma economia do imaterial, da produção de serviços e conhecimentos." Pois é nessa indústria imaterial, principalmente no turismo e lazer, que o economista vê os empregos do futuro. |
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