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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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Mercosul muda concepção da Alca Em 27dias, começarão as discussões para derrubar as barreiras entre os países integrantes do acordo Monica Yanakiew SAN JOSÉ - Nem os 34 chefes de Estado e de Governo reunidos em Miami há quatro anos, apostavam na promessa que fizeram: criar uma zona de livre comércio, do Alasca a Terra do Fogo, incluindo todo o continente americano menos Cuba. Marcaram a data para 2005, posaram para a tradicional foto de família, e voltaram para casa sabendo que numa década tudo pode mudar. "Muita coisa realmente mudou", lembra o chanceler do Chile, José Miguel Insulza, depois de acertar os detalhes do próximo encontro de chefes de Estado e de Governo, em Santiago. Daqui a 27 dias, eles iniciarão as negociações, para derrubar barreiras entre países, inaugurar uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mas o cenário que montaram para os próximos sete anos e meio é diferente do que muitos imaginavam em 1994. Entre Miami e San Tiago, o Mercosul deixou de ser uma proposta irrealista de integrar países com uma longa história de instabilidade econômica, para se transformar num bloco sólido e na marca registrada do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai. ENTRAVES Os Estados Unidos - que pretendiam diluir o Mercosul, numa Alca liderada pela única superpotência mundial - esbarraram na oposição de seu próprio Congresso, mas preocupado com assuntos doméstico do que com os projetos continentais do presidente Bill Clinton. "A flexibilidade dos americanos, nessa última rodada de negociações de ministros, na Costa Rica, foi surpreendente e decisiva para superar os impasses antes da cúpula de San Tiago", disse Insulza. Mas a maior surpresa talvez tenha sido o espaço ocupado, de uma hora para outra, pelas economias menores. Barbados vai liderar um grupo de especialistas, dos setores público e privado, encarregado de estudar um tema que ninguém, nem mesmo os EUA conhecem: o comércio eletrônico do futuro. E Panamá abocanhou um pedaço da sede da Alca. INTERESSE Quando os EUA, Brasil, México, Colômbia, Jamaica e Panamá se candidataram para sediar a Alca, a idéia era escolher uma única cidade para reunir a dezena de grupo de trabalho, que até o ano de 2005 deveriam propor formas para liberalizar o comércio hemisférico. Os critérios eram fácil acesso, boa infra-estrutura e custo baixo para todos. Miami era a melhor opção, e teria consenso não fosse a oposição dos mexicanos, movida por problemas na sua relação bilateral com os EUA. O Rio de Janeiro estava em segundo lugar, mas aceitava trocar sua candidatura por maior controle nas negociações. Que os americanos aceitassem um compromisso com os mexicanos para superarem o impasse, fazia sentido. A zebra foi a Cidade do Panamá que, sem poder de pressão, será sede da Alca por dois anos. Os cinco restantes foram divididos entre Miami e a Cidade do México. |
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