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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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Coisa séria OPINIÃO Os tempos mudam e com eles mudam as prioridades. Desde que o automóvel surgiu, no início do século, sua existência passou a ser entendida como um prolongamento da lucrativa indústria do petróleo. Sem esse mineral fóssil, que é finito, não existiriam os meios de manter em funcionamento os motores de combustão interna. Em nome desta sociedade, os ocidentais fizeram uma arbitrária divisão do Oriente Médio para garantir o acesso ao combustível bom e barato. Até hoje as guerras naquela região do mundo são feitas ou evitadas em nome da política do petróleo. Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, ele certamente violou um conjunto das normas internacionais de convivência, mas violou, também, as regras do mercado porque passou a controlar 40% da oferta mundial de petróleo. Por essa razão, teve contra si o fogo de uma aliança internacional que uniu mais de trinta países. Não se brinca com coisa séria. Nesta semana comemorou-se o dia mundial da água. A rapidez com que o mundo se desenvolve deixa pouco espaço e menor tempo para que observadores e analistas percebam a importância da água doce, a popular água de beber. O mundo é formado por 3/5 de água salgada e somente quatro por cento da massa que conforma o planeta é apropriada para o consumo humano. E o Brasil, com a sua formidável bacia amazônica, tem uma enorme importância como fornecedor da água para seus nacionais e, quem sabe, para seus vizinhos. A comparação é inevitável: a água terá no futuro importância semelhante à que o petróleo tem hoje. O rapidíssimo desenvolvimento humano faz da água um bem finito, como o petróleo, porque o consumo tende a ser sempre maior que a oferta. Um dia, acaba. O nordestino sabe o que é a seca, conhece seus efeitos e luta com o rigor do clima desde há muito. Falta de água é sinônimo de ausência de vida, seja animal ou vegetal. Água é, portanto, um assunto sério tanto do ponto de vista da política social, quanto sob a ótica da geopolítica. O dia de São José passou e caíram uns respingos, aqui e ali, no território de Pernambuco.Os meteorologistas insistem em que haverá carência de chuvas ao longo de todo o ano. É possível que uma seca esteja chegando ou, quem sabe, seja um alarme falso. Mas a questão, neste final de século, é que o homem civilizado precisa descobrir meios de economizar a água ao mesmo tempo em que precisa fazê-la chegar às torneiras dos que dela necessitam. A busca pela água potável e pela utilizada nas plantações será a marca registrada dos próximos anos. Será o símbolo da sobrevivência física e da sobrevivência política. Proteção ao sistema ecológico deixou de ser ação radical de grupos para se transformar em política de Estado. É coisa séria. Escola de governo A formação de quadros para atuar no setor público, no Brasil, mostra uma linha descontínua. Com efeito, depois da extinção do antigo Dasp, Departamento Administrativo do Serviço Público, criado na era Getúlio Vargas, o assunto deixou de ter tratamento sério e sistemático. Com as exceções da Enaf, na área fazendária, e da Enap, Escola Nacional de Administração Pública. De alguns anos para cá, começaram a se constituir núcleos de aperfeiçoamento de administradores públicos, em estados brasileiros, com base na experiência e na capacidade institucional de agências estaduais e federais. São as Escolas de Governo, já funcionando na Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Ceará e Pará. Estas Escolas de Governo estão sendo instituídas com fundamento em uma filosofia de trabalho moderna e conceitualmente avançada. Na verdade, trata-se de estruturas curriculares apoiadas em princípios de racionalidade administrativa, de qualificação gerencial, e voltadas para a valorização da cidadania. Nesse sentido, as Escolas de Governo associam duas importantes noções: o novo papel que vem crescentemente assumindo o estado como indutor do desenvolvimento, e não como produtor de bens. E, de outra parte, a noção do estado como mediador social com ênfase nas renovadas relações entre sociedade e governo, na participação do cidadão e nas reformas sociais. Além disto, a boa notícia é que Pernambuco passa a sediar, a partir desta segunda-feira, uma Escola de Governo, operada na competência intelectual da Fundação Joaquim Nabuco. Tem a Joaquim Nabuco não apenas a tradição de larga experiência acumulada no estudo das questões de gestão do desenvolvimento, mas também dispõe de especialistas e formuladores de políticas públicas que a credenciam a tanto. O início de operação da Escola de Governo, em Pernambuco, por convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento - Bid, reitera a vocação da Fundaj como centro de pensamento e certifica nosso estado como espaço de debate para reestruturação do setor público. |
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