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| Recife, Domingo, 22 de Março de 1998 |
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Campos de concentração no Ceará Antes mesmo da 2ª Guerra Mundial, a elite econômica nordestina já aprisionava os flagelados da seca SENADOR POMPEU/ce - Antes da Segunda Guerra, o Brasil já tinha seus campos de concentração. Como os europeus, os campos caboclos foram marcados por dias de horror e morte. Em ambos, o direito de ir e vir era limitado, os prisioneiros tinham as cabeças raspadas, a fome estava sempre presente e os óbitos ocorriam aos montes. Só que, ao contrário de Sobibor, Auschwitz e Treblinka - erguidos em nome da supremacia racial - os campos nordestinos - em Fortaleza, Quixadá, Quixeramobim, Cariús, Ipu e Crato (CE) - tinham por base o apartheid social. Do lado de fora ficavam as elites políticas e econômicas. Atrás do arame farpado, uma massa esquálida e faminta, formada por flagelados da seca, que se comprimiam como gado no cercado. E que morriam de desnutrição e sede nos currais da fome. Ignorados pela historiografia oficial, os campos de concentração sertanejos ainda estão vivos na memória dos sobreviventes, começam a ser redescobertos pelos estudiosos e estão virando filme. ESQUECIMENTO A história estaria destinada ao esquecimento se não fosse o Grupo Cultural 19-22, que nos últimos dois anos vem relembrando a tragédia, colhendo o depoimento dos sobreviventes da seca de 1932. O grupo formou-se para lutar pelo tombamento do conjunto arquitetônico da Barragem do Patu, onde a empresa inglesa Dwight P. Robinson construiu um canteiro de obras, uma usina de produção de energia a vapor, casas para os seus executivos, um escritório, e casas de pólvora. A obra, inacabada, terminou sendo usada pelo governo para confinar os flagelados da seca, impedindo que fossem para a cidade. A briga mobilizou a população e 5% do eleitorado subscreveram documento enviado à Câmara Municipal, pedindo o tombamento do sítio histórico. O projeto terminou sendo arquivado, e agora o 19-22 - integrado por professores, advogados, estudantes, cineastas e poetas - tenta sensibilizar o governo do estado. |
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