Recife, Domingo, 22 de Março de 1998

Escolas começam a mudar hábito alimentar de alunos

Apesar de raras, algumas escolas já têm um programa de reeducação alimentar. É o caso da Escola das Nações, no Lago Sul, em Brasília, graças ao trabalho de Christiane Coelho. Ela assumiu o refeitório da escola desde que o Ministério da Saúde baixou uma portaria em 1996 obrigando estabelecimentos com cozinha industrial a terem respons vel técnico. A nutricionista cuida da alimentação de mais de 300 alunos - do maternal, primeiro e segundo graus -, professores e funcioná rios.

A escola funciona em tempo integral, das 8h às 15h. São servidos café-da-manhã, almoço e lanche. Christiane acompanha todas as refeições e chega a dar comida na boca de algumas crianças mais resistentes. "Muitas vezes eles dizem que não gostam de alguma coisa, mas nunca provaram", conta. Ela também promove peças de teatro educativas sobre a importância de uma alimentação saudável. Já foi nas salas e explicou como funciona todo o sistema digestivo.

Zuleica Aires é a mãe de Fabiane, 8 anos, aluna da seugunda série. Ela elogia o trabalho feito por Christiane e diz que a filha passou a comer verduras que antes ela se recusava, como couve-flor e espinafre. Ela diz que não aconteceu com Fabiane algo que ela observa nos filhos das amigas. "Normalmente a criança come tudo, mas quando entra na escola vai perdendo o hábito. Já ela come salada, frutas e muito pouco doce."

É comum os alunos implorarem por hambúrguer, pizza e cachorro-quente. Principalmente os adolescentes. Mais comum é terem seus pedidos ignorados. Mas nem sempre. Ano passado, na festa de comemoração do dia das crianças, os estudantes foram surpreendidos com sanduíches do Mc Donald€s e refrigerantes. "Nada é proibido. A intenção é mostrar que esses alimentos devem ser comidos apenas em ocasiões adequadas", esclarece Christiane.

A nutricionista, no entanto, sabe que seu trabalho só ser completo se os pais o continuarem em casa. "Se em casa os pais educarem e a escola não ajudar, os resultados não surgirão. O mesmo acontece se nós fizermos um trabalho aqui e os pais não colaborarem", ressalta. 

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