Recife, Domingo, 22 de Março de 1998

Obesidade ataca os brasileiros

Estima-se que 27 milhões de adultos apresentam excesso de peso provocado pela má alimentação

Humberto Rezende
Da Agência Meridional

Depois do sinal do recreio, crianças e adolescentes dirigem-se para a cantina da escola. Do tumulto formado em frente ao balcão, vão saindo alunos carregando copos de refrigerante, salgados, sorvetes e barras de chocolate. A imagem, que agrada os donos das lanchonetes, preocupa os nutricionistas.

Pesquisas mostram que o hábito alimentar do brasileiro é pouco saudável. A conseqüência pode ser, entre outras, um país de gordos. Análises nutricionais realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1974 e 1989 mostram que enquanto a desnutrição cai no país, a obesidade cresce.   Estima-se que cerca de 27 milhões de adultos brasileiros (32%) apresentam algum grau de excesso de peso. E quanto maior a renda, maior é a prevalência de obesidade.

No trabalho Da Desnutrição para a Obesidade: A Transição Nutricional no Brasil, concluído em 1995, um grupo de nutricionistas paulistas coordenados por Carlos Augusto Monteiro afirma que a causa desse quadro está na adoção da chamada dieta ocidental - rica em gorduras, açúcar e alimentos refinados - pela população.

Isso alerta para a necessidade de orientação alimentar para os brasileiros. E especialistas apontam as escolas como elementos fundamentais nessa tarefa, uma vez que deve ser iniciada desde a infância.

"Na maioria das vezes, a pessoa come mal a vida inteira e quando adulto se vê proibido de comer tudo aquilo a que est acostumado por motivos de saúde. Muitos não conseguem mudar", alertam Anelena Seyfarth e Maria Aparecida Nascimento, do Núcleo Normativo de Nutrição da Fundação Hospitalar do Distrito Federal.

Mas os estabelecimentos de ensino, principalmente os particulares, não têm cumprido bem esse papel. "Está na hora de se atentar para uma educação mais ampla", defendem Anelena e Maria Aparecida.

As cantinas das escolas se parecem cada vez mais com lanchonetes de fast food. Marcos Pereira, 13 anos, diz que no colégio Alvorada, onde estuda, são vendidos, além dos habituais doces e salgados, cachorros-quentes, pastéis e cheeseburgers.

"Na minha escola eles vendem muita porcaria. Até pizza", conta outra estudante, Lívia Campos, 16 anos, que estuda no Centro Eduacional Maria Auxiliadora, em Brasília. Mas os dois lembram que as cantinas são variadas e podem optar por sucos, sanduíches naturais e salgados assados, no lugar de fritos. 


Falta educação em casa
Escolas começam a mudar hábito alimentar de alunos

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