Recife, Domingo, 22 de Março de 1998

Política desestimula eleitor

A cada eleição majoritária que acontece no estado cresce o número de votos brancos, nulos e das abstenções

Carlos Estênio Brasilino
Da equipe do DIÁRIO

A classe política tem se deparado com uma tarefa que vem ficando mais indigesta a cada eleição: prender a atenção e conquistar os votos dos eleitores. O desinteresse da população pela política tem se evidenciado nos últimos pleitos e os números confirmam a observação. Os índices de abstenção têm sido alarmantes e os votos brancos e nulos - que geralmente representam a revolta e a indignação do eleitor - dariam para eleger governador, senador ou deputado, se for tomado como exemplo o estado de Pernambuco.

Senão vejamos: nas eleições majoritárias de 1990, o candidato da Frente das Oposições de Pernambuco, Joaquim Francisco (PFL), foi eleito com 1.238.296 votos. Isso num universo de 3.885.434 eleitores. Ou seja: ele conquistou 50,9% dos votos válidos. Os votos brancos (497.415), nulos (322.668) e as abstenções (635.138) somaram 1.455.221 votos - 16,34% dos votos válidos. Por sua vez, o então candidato da Frente Popular, Jarbas Vasconcelos, conquistou apenas 1.088.289 votos - 44,78% dos válidos. Como se percebe, se um candidato tivesse conquistado a simpatia dos eleitores que votaram em branco, nulo ou simplesmente não votaram, teria ocupado o lugar de Joaquim Francisco no Palácio das Princesas.

Em 1994 o quadro não foi diferente. Paralelamente ao crescimento do eleitorado apto a votar - passou para 4.467.948 -, a taxa de abstenção também aumentou - ficou em torno de 21,13%. O governador Miguel Arraes se elegeu com 1.262.417 votos, superando o segundo colocado, o pefelista Gustavo Krause, que obteve 759.786 votos válidos. Se for comparada a performance de Arraes em 94 com a de Joaquim Francisco em 90, o resultado seria favorável ao presidente nacional do PSB, mas por apenas 24.121 votos de vantagem.

SENADO

As últimas votações para o Senado também indicam o preocupante desinteresse político-eleitoral dos eleitores. Se em 1990 o atual vice-presidente da República, Marco Maciel, foi eleito com 910.776 votos (28% da votação válida), em 94 o campeão de votos foi o tucano Carlos Wilson, que teve uma votação inferior: 869.457 votos. Ainda nesta eleição, houve duas vagas para o Senado, o que possibilitou o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, merecer uma vaga respaldado por 815.644 votos. Os votos brancos e nulos somaram 3.387.564.

Para presidente da República, os pernambucanos elegeram Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com 1.381.756 votos válidos. O também pernambucano Luís Inácio Lula da Silva (PT), chegou em segundo lugar, com 949.865 votos. Enéas Carneiro (Prona) obteve 99.061 votos. Os votos brancos foram 475.211 e os nulos 481.100. As abstenções somaram 943.966. No total, 1.900.277 eleitores não puderam, não souberam ou, eventualmente, não quiseram votar para presidente.


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