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| Recife, Sexta-Feira, 20 de Março de 1998 |
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Greve no Bandepe é decretada Funcionários rejeitaram proposta do governo e decidiram pela paralisação, em assembléia ontem à noite Cláudia Santos O dia de ontem não poderia ter sido pior para a direção do Bandepe e o governo do estado. Pela manhã, um curto circuito causou um princípio de incêndio nas instalações elétricas, deixando o prédio sem energia e interditado. À noite, um novo estrago: os funcionários do Bandepe decidiram fazer greve, por tempo indeterminado, a partir da próxima segunda-feira. Eles rejeitaram a proposta do plano de demissão incentivada e de pagamento de passivos trabalhistas feita pelo governo estadual, em reunião, na última quarta-feira. A decisão de paralisar foi tomada em assembléia, no Sindicato dos Bancários, por centenas de empregados do banco. A possibilidade de greve dos funcionários do Bandepe causou tensão no governo estadual, antes da assembléia. A preocupação é com a capitalização do banco, já que uma paralisação por mais de cinco dias poderá esvaziar o caixa do Bandepe, que já vem sendo reforçado com recursos do Banco Central. Segundo fontes do mercado financeiro, se a paralisação atingir toda a rede de agênciasdo Bandepe, o banco vai enfrentar uma série de problemas. A compensação de cheques pode ser suspensa, o volume de saques seria superior ao de depósitos, o que dificultaria ao banco honrar compromissos, além de ter que recorrer ao BC para cobrir o caixa, através do redesconto(linha especial de socorro às instituições em dificuldade). Em situações normais, o banco correria sérios riscos de sofrer uma intervenção. O secretário de Governo, Dilton da Conti, não admite a possibilidade de ocorrer essa situação. Ele afirmou que o governo tem um protocolo assinado com o Banco Central, Tesouro Nacional e Ministério da Fazenda, com recursos assegurados para a privatização do banco. "A meta do governo federal é privatizar os bancos estaduais e ele será solidário com estado, em caso de uma greve", afirmou o secretário de Planejamento, João Recena. Apesar da segurança, os secretários apelaram para o bom senso dos bancários. "A solução não é boa para ninguém, mas o prejuízo é maior para quem aderir a greve. Eles estãoquerendo radicalizar, mas deve prevalecer o bom senso, para que se preserve os empregos e se pague indenização adequada", afirmou da Conti. O presidente do Bandepe, Wanderley Benjamim, também já havia apelado para que os funcionários não abandonassem as negociações retomadas, na quarta-feira, depois de terem sido suspensas em outubro, e retornassem com uma contraproposta. Há uma reunião marcada para a próxima quarta-feira, mas os empregados decidiram que não levaram contraproposta, mas esperam uma nova do governo. A proposta apresentada pelo governo na negociação alterou os ânimos dos funcionários do Bandepe, que tendiam para a paralisação no mesmo dia da primeira reunião com o governo. Um grupo de gerentes se mobilizou durante todo o dia para conseguir uma nova proposta do governo. Eles chegaram a alertar alguns deputados estaduais sobre o risco de uma paralisação no banco, das consequências para a privatização e se mostraram dispostos a liderar a greve. O governo ofereceu um abono de 1,5 mil a todos os1.640 funcionários do banco para cobrir os reajustes que deveriam ser concedidos em 96 (10,6%) e 97 (5%), de maneira retroativa, além da participação nos lucros que era devida. Também seria concedido uma correção de 5% nos salários, a partir de março. Como plano de demissão incentivada foi oferecido meio salário por ano trabalhado, até o limite de 12 salários. A proposta foi considerada um retrocesso, por ser menor que os outros planos de demissão. |
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