Recife, Sexta-Feira, 20 de Março de 1998

Comitê discute fruticultura

Financiamentos, controle de qualidade, produção e pesquisas. Essas são as áreas servirão de objeto para as primeiras ações práticas do programa nacional de fruticultura irrigada. Foi o que ficou definido esta semana, na primeira reunião do comitê gestor do programa formado por empresários do setor e representantes dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Agricultura. Orçado em US$ 1 bilhão, o programa tem a ambiciosa meta de combater o desemprego no Sertão, convertendo 1% da área do Semi-Árido nordestino (um milhão de hectares) em pólos de fruticultura irrigada, gerando um milhão de novos postos de trabalho, num prazo de cinco anos.

O comitê deverá se reunir a cada mês para discutir e avaliar os trabalhos de implantação do programa na região. Para por em prática as áreas definidas como prioritárias, o grupo foi dividido em quatro subcomissões, (financiamento, fitossanidade, produção e marketing e pesquisas). Cada subcomissão se reúne a cada quinze dias, para avaliar o que foi realizado. "Na próxima semana todo mundo se reúne para discutir as primeiras ações. Na reunião seguinte, para avaliá-las", disse um dos representantes do comitê gestor, Aristeu Chaves, da empresa Frutifort (Petrolina).

Criado há cerca de 10 dias por decreto de FHC, o comitê gestor é formado pelas 10 empresas de fruticultura selecionadas pelo Ministério da Agricultura para gerirem o programa junto com o governo federal. Juntas, essas dez empresas que compõem o comitê (nove nordestinas e uma multinacional) negociam R$ 50 milhões em frutas por ano, quase metade dos R$ 108 milhões vendidos pelo Brasil inteiro na mesma atividade. E foi o volume de negócios com o mercado internacional que fez o governo federal convidá-las para participarem do projeto. Dessas agroindústrias, seis estão instaladas em Pernambuco, na região do Vale do São Francisco.

Fim do êxodo rural e liderança mundial na produção de frutas tropicais. Estas são os audaciosos objetivos do programa. Mas já seria de bom tamanho se o governo federal e as empresas envolvidasimplantassem apenas as metas previstas para o primeiro ano do projeto.

Se o programa abandona o papel este ano, 200 mil hectares do Semi Árido Nordestino deverão se transformar em áreas de cultivo irrigado de frutas doces até dezembro. E cerca de 200 mil nordestinos passarão de desempregados a funcionários destes novos pólos de produção, destinados ao comércio exterior.


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