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| Recife, Sexta-Feira, 20 de Março de 1998 |
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O piso dos juros PANORAMA ECONÔMICO Por maior que seja a vontade do Governo, a pressão de aliados e empresários e o empenho da equipe econômica, a queda dos juros este ano tem um limite. Ontem, o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola disse que, pelo menos por enquanto, o piso da TBC é de 22% ao ano. Maior do que a taxa nominal em vigor antes da crise da Ásia e alta demais para permitir um crescimento econômico mais vigoroso. Sem ajuste fiscal, o déficit externo precisa ser financiado por recursos do exterior. Por isso, é necessário que o chamado cupom cambial, o rendimento líquido do capital externo aplicado aqui, seja atraente. Antes da crise, o cupom cambial estava em 9,5% ao ano e, hoje, em 13,8%. Ainda há espaço para queda, mas para manter a mesma remuneração que existia até outubro, a taxa nominal de juros não poderá cair abaixo de 22%, segundo estudo da Tendências Consultoria. Desde a crise houve mudanças fundamentais. As contas públicas se deterioraram, a percepção do risco de aplicar no Brasil aumentou e a alíquota do Imposto de Renda sobre as aplicações em renda fixa subiu de 15% para 20%. Para se calcular o ganho líquido das aplicações, deduzem-se da taxa nominal de juros de 22% o Imposto de Renda e a correção cambial anunciada de 7,5% ao ano. Isso daria um rendimento igual ao que existia até outubro. A diferença entre aplicar no Brasil e nos Estados Unidos, um porto muito mais seguro, ficaria em 3,5 pontos percentuais. É o mínimo necessário, na avaliação dos economistas da Tendências, para manter os investidores no país. Reduzir além deste patamar mínimo, só com queda do Imposto de Renda, o que parece improvável - a alíquota foi elevada no pacote fiscal de novembro para aumentar a receita. Ou com a redução do ritmo das desvalorizações, o que, economicamente, não seria recomendável. A outra alternativa seria diminuir o cupom. Mas isso só com menos dependência externa. Mesmo assim, os consultores acham que é hora de acelerar a redução dos juros, que estão em 28% ao ano, ainda muito acima do que consideram o piso. Consideram até a possibilidade de o Banco Central fazer uma reunião extraordinária antes do dia 15 de abril. "O Copom já fez isso, quando decidiu dobrar os juros para enfrentar a ameaça externa, em outubro. Pode fazer de novo", observa Guilherme da Nóbrega, da Tendências. Segundo ele, existem razões boas e ruins para acelerar a redução dos juros. Na lista das boas: há sinais claros do isolamento da crise da Ásia, o movimento de capitais para os mercados emergentes está se normalizando, as reservas superam o nível de agosto do ano passado, as perspectivas da balança comercial melhoraram e a inflação está em nível confortável. Mas há, também, as ruins: o desemprego está alto e subindo e a inadimplência também. Além disso, os custos de rolagem da dívida interna com juros elevados pressionam os gastos públicos. O quanto vale segurar o câmbio? O chefe do departamento econômico do BBM, Eduardo Velho, calculou a taxa de câmbio real efetiva do Brasil e comparou com a de outros países da América do Sul, da Ásia e da Europa. A idéia é verificar a evolução da competitividade brasileira depois da crise de outubro. Quando o número é negativo significa que o real está valorizado, ou seja, as exportações brasileiras ficam mais caras. O estudo é bom para ver o que está acontecendo na Ásia. A Indonésia, por exemplo, ganhou terreno de julho até dezembro, dando um salto em janeiro, porque desvalorizou muito. Mas com a chegada da inflação - 20,5% no primeiro bimestre - a vantagem cambial caiu sensivelmente em fevereiro. "O importante não é o número em si, mas a tendência do curto prazo", explica Velho. Na amostragem de fevereiro, das 16 moedas comparadas o real se desvalorizou em relação a 13. Atraso O relator do substitutivo dos planos de saúde, senador Sebastião Rocha (PDT-AP), acha quase impossível que o plenário vote o projeto até 15 de abril, como pediu o presidente FH. É que, no meio do caminho, tem o feriado da Páscoa. Na área O suíço UBS acaba de lançar o seu private equity para a América Latina. O fundo nasce com US$ 200 milhões e metade do capital voltado para negócios no Brasil. Três áreas são cortejadas por aqui: telecomunicações, varejo e software. União José Roberto Mendonça de Barros vai para a Camex para unir maior agressividade na exportação com reestruturação industrial. |
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