Recife, Terça-Feira, 10 de Março de 1998
Divulgação/Tri Star Pictures A única imagem disponibilizada até hoje pelos criadores de Godzilla: numa marcha destruidora sobre Nova Iorque, o réptil gigantes esmaga homens e carros como formigas indefesas

A chegada de Godzilla

Rodrigo Carrero
Da equipe do DIÁRIO

É noite de tempestade em Nova Iorque (EUA). Um grupo de estudantes observa, espantado, o enorme esqueleto de um Tiranossauro Rex, num museu de História Natural encravado no bairro chique de Manhattan. De repente, o prédio parece tremer. Os animais empalhados balançam. E, sob o clarão de um raio, todo mundo vê uma gigantesca pata entrar na sala, estilhaçando a clarabóia do teto, e esmagar os ossos do maior animal que já viveu sobre a Terra. Mais ou menos como um homem pisaria, sem ver, numa formiga. O monstrengo segue em frente, pisando em prédios e carros. Ninguém no museu acredita no que acabou de ver. Que raio de bicho seria aquilo? Um animal cuja pata é maior do que um T-Rex?

A resposta emerge em maio do oceano Pacífico, marcha altivamente por cima das pobres cabeças norte-americanas e pára finalmente em cerca de 3 mil cinemas ianques. Godzilla - ninguém duvida - vai ser o grande arrasa-quarteirão de 1998. Produzido pela mesma dupla que emplacou dois sucessos de alto calibre nos últimos cinco anos (Stargate e Independence Day, esse último a oitava bilheteria de todos os tempos), o diretor/roteirista Roland Emmerich e o produtor/co-roteirista Dean Devlin, o filme já provoca um rebuliço sem proporções na Internet. Godzilla, um dos ícones da geração que cresceu nos anos 70, sempre foi alvo de culto de centenas de netmaníacos. Hoje, no entanto, já existem 71 sites cadastrados no sistema de buscas mais popular da rede, o Yahoo, que têm o réptil como tema.

Uma olhadinha nessas páginas digitais vai revelar centenas de imagens de Godzilla. São fotos tiradas em um dos 22 filmes japoneses estrelados pelo lagartão desde a década de 60. Mas não, não adianta procurar. Não existem fotos do novo Godzilla, nem na Internet nem em nenhum outro lugar. Trata-se da mais inteligente campanha publicitária já feita até hoje para divulgação de um filme. "Ninguém vai ver o nosso Godzilla até o dia de estréia do filme. Não haverá fotos, os trailers não terão o monstro, não vamos dar pistas sobre o roteiro. É tudo segredo", abre ojogo o produtor Dean Devlin, num vídeo-entrevista disponível no site oficial da película.

SITE

A página digital de Godzilla, aliás, é uma dessas pérolas repletas de informações. Tem de tudo: nela, você pode assistir aos três trailers que passaram no cinema e na TV americana sobre o filme (claro que nenhum deles mostra o lagartão: no máximo a pata ou o olho, do tamanho de um homem). Pode ajudar o Exército ianque a destruir monstros estilo Godzilla, num jogo chamado G-Patrol, descrito no site como o exercício militar usado para treinar as tropas contra o ataque do monstro. Pode conversar com o diretor, o produtor ou um dos atores do filme, já que todas as terças e quartas há um chat (conversa pela Internet) de um membro da equipe do filme com os fãs. Pode ver dezenas de fotos das filmagens numa espécie de sala de reuniões virtual, cheia de computadores e design gráfico de primeira. Pode até ouvir como vai ser o apavorante urro de Godzilla.

Tudo isso, claro, só aumenta a curiosidade para ver como vai ser aaparência do ator principal do filme. Godzilla, aliás, tem um roteiro adaptado para os tempos atuais: o gigantesco réptil é, na verdade, um ser mutante que vivia nas profundezas do Pacífico Sul, até que a França (leia-se Jacques Chirac) veio perturbar a paz do coitado com testes nucleares. Ninguém diz como surgiu Godzilla. Na Internet, há quem fale de uma raça extinta de dinossauros. Outra versão diz que ele seria um minúsculo iguana transformado em gigante sob o efeito da radiação nuclear.

O fato é que o espetáculo visual é inigualável: um bicho de 300 metros de altura, da largura do Maracanã, que tem um bafo atômico equivalente a algumas bombas nucleares do naipe daquela que destruiu Hiroshima. Pelo pouco que foi revelado até aqui, o ator Matthew Broderick interpreta o cientista Nick Tatopoulos, o único cientista capaz de deter o monstro e seus filhotes. Sim, porque Godzilla, um ser assexuado (sabe-se lá por quê) vai pôr 150 ovos gigantes no Central Park!

Para garantir a qualidade técnica das filmagens, a dupla central está gastando a bagatela de R$ 100 milhões. A maior parte da grana está sendo empregada para a construção de Godzilla em computadores de última geração. Mas não dá pra esquecer a destruição de Nova Iorque que deve acontecer durante as andanças do monstrengo pela cidade - cenas que devem ter custado os olhos da cara. "Depois de destruir a Casa Branca e a Torre Eiffel em Independence Day, a gente demorou para pensar em algo que pudesse ser maior do que a invasão de aliens. E chegamos à conclusão de que a única coisa maior do que aquilo seria Godzilla", ri Devlin.

Conhecido como rei dos monstros, Godzilla surgiu em 1954, num filme japonês. Fez um sucesso tão avassalador na terra dos japonas que filme foi retocado e lançado na América dois anos depois. Radical: fez sucesso instantâneo e tornou-se personagem principal de séries de TV. Na década de 70, passou a objeto de culto e virou brinquedo de criança.

SERVIÇO

Godzilla
(home page oficial do filme)
http://www.godzilla.com


Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER