Recife, Terça-Feira, 10 de Março de 1998

Estudantes farão ato contra corte de verbas

Universitários vão acampar em Brasília a partir de quinta-feira

SÃO PAULO - Estudantes de graduação participantes do Programa de Especial de Treinamento do MEC (Ministério da Educação) preparam um acampamento em Brasília, a partir de quinta-feira, contra o corte de recursos na área. O programa, conhecido como PET, forma grupos multidisciplinares de 12 alunos cada, com um professor-tutor, para desenvolver projetos de pesquisa e extensão. Tanto os alunos (mais de 3.000) como os professores recebem bolsas pelo trabalho. Com o corte, os recursos para bolsas de alunos cairão de R$ 10,3 milhões em 97 para R$ 5,5 milhões este ano.

O orçamento total diminuiu 35%. "A despeito do sucesso desse programa, que já tem duas décadas, o governo decide reduzir o investimento , afirma Marcos Cesar Danhoni Neves, 34, professor doutor de física na Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, e coordenador de um grupo PET. A organização da marcha a Brasília começou na semana passada nos estados do Sul. Mas até quinta-feira deve reunir estudantes de todo o país. Esse ato é mais um elemento de um movimento crescente no ensino superior contra as políticas do MEC para sua rede de 52 instituições federais de ensino superior.

No fim-de-semana, a Andes (sindicato nacional dos professores do ensino superior) realizou reunião com representantes de 35 universidades e manteve o estado de greve, com indicativo de paralisação dias 18 e 19 de março. Os docentes criticam, além dos cortes no setor (que já reduziram 10% das bolsas de pesquisa), a falta de reajustes salariais há mais de três anos. Além disso, o governo lançou um Programa de Incentivo à Docência, que deixou os professores ainda mais bravos, por atingir apenas uma parcela da categoria e não o seu conjunto.

Governo denuncia oposição ao TRE

O governo do estado e o secretário estadual da Fazenda, Eduardo Campos, entram hoje pela manhã, junto ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Luiz Belém de Alencar, com uma ação contra o PFL e o PMDB, pedindo a cassação do tempo de propaganda gratuita de ambas as legendas. De acordo com o secretário estadual de Imprensa, Evaldo Costa, ontem à noite um programa da oposição na TV utilizou a imagem de Eduardo Campos responsabilizando-o pelo escândalo dos precatórios. "O programa mostrou uma propaganda ilegal, já que a citada coligação União por Pernambuco não existe oficialmente".

Costa relembrou que pefelistas e peemedebistas são reincidentes, uma vez que, em julho do ano passado, em programa semelhante, "eles já haviam cometido um flagrante desvio da finalidade estabelecida pela lei eleitoral". Por outro lado, o secretário da Fazenda irá pedir, também junto ao TRE, a garantia de que obterá direito de resposta, "exatamente da mesma forma como o ex-prefeito Jarbas Vasconcelos fez, quando foi exibida sua imagem num programa eleitoral do senador Carlos Wilson", como explicou Costa.

No programa do PMDB/PFL, foi exibida uma imagem de Eduardo Campos ilustrando um texto que questiona o destino dos recursos obtidos com a privatização da Celpe, que, segundo o programa, terão o mesmo fim dos R$ 500 milhões dos precatórios, numa insinuação de que houve desvio de verbas públicas por parte do governo.

Repórter se desculpa nos EUA

WASHINGTON - Um repórter pediu, ontem, desculpas pela reportagem que ele fez e que disparou o primeiro escândalo sexual do governo Clinton na Casa Branca. Segundo o jornalista, no Caso Paula Jones, ele foi usado pelos inimigos da direita nos EUA, que pretendiam prejudicar o presidente democrata Bill Clinton. A carta aberta do repórter freelancer David Brock, publicada na edição de abril da revista Esquire, ampara os argumentos da primeira-dama Hillary, que recentemente atribuiu todos estes escândalos a uma "conspiração da direita".

Mulher protesta no Itamaraty

BRASÍLIA - A cabeleireira Mara Soares, 31 anos, pulou no espelho d'água do Itamaraty no início da tarde de ontem para protestar contra o consulado brasileiro em Zurique (Suíça). Mara disse que foi presa por falta de passaporte e espancada por policiais suíços numa delegacia em Zurique. Ao procurar a ajuda do consulado brasileiro, foi encaminhada a um albergue "para descansar até que as marcas da agressão desaparecessem, impedindo o exame de corpo delito", segundo ela. Depois de deportada, em abril do ano passado, Mara procurou o Itamaraty para abrir um processo contra os policiais. Há quatro meses, foi informada de que o processo havia sido arquivado por falta de provas.

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