(Atualizado no dia 6/3/1998)

Manejo incorreto afeta a produtividade das pastagens

José Carlos Dubeux Júnior

A produtividade média das pastagens brasileiras é bastante baixa devido, principalmente, ao manejo inadequado e à pouca fertilidade do solo. No entanto, o potencial de produção das gramíneas tropicais como o Capim-elefante, as Braquiárias, o Pangola, dentre outros, é bastante alto, desde que sejam feitas correções e adubações do terreno. Dados de pesquisa evidenciam a possibilidade de lotações em torno de 4 a 5 vacas por hectare por ano, para produção de leite a pasto, com produtividade em torno de 8 quilos de leite por vaca por dia, alimentadas exclusivamente na pastagem na época mais favorável, o que resulta em produções em torno de 15 mil kg de leite por hectare/ano.

No entanto, tais níveis de proutividade apenas podem ser atingidos com o uso de corretivos e fertilizantes, visto que os solos tropicais, de maneira geral, são pobres em fósforo e possuem baixos níveis de matéria orgânica , alem de problemas de acidez em áreas onde há maior ocorrência de chuvas. Alguns produtores, muitas vezes por falta de informações, hesitam em corrigir os solos e fertilizarem seus pastos. No entanto, com a ajuda de um técnico especializado, essa prática pode ser realizada com retorno financeiro satisfatório.

Se tomarmos como exemplo um experimento que está sendo conduzido na Estação Experimental de Itambé, Zona-da-Mata de Pernambuco, pertencente ao IPA, onde a lotação animal utilizada é de 3 vacas por hectare por ano, em pastos de Brachiaria decumbens, Brachiaria humidicola e Capim-elefante, com media de 7 kg de leite por vaca por dia, isso resulta em produções de 7.665 kg de leite por hectare por ano, considerando apenas as vacas em lactação pastejando nessa área. Essa produção sendo comercializada a R$ 0,25 por litro, representa um faturamento bruto de R$ 1.916,25 por hectare por ano. O custo da adubação, responsável pelo aumento da lotação nessa área, representa menos de 8% desse faturamento. Por outro lado, se não fosse efetuada a adubação nessa área, a lotação seria de apenas 1 vaca por hectare por ano, o que representaria apenas um terço do faturamento bruto acima mencionado.

Um programa de adubação de pastagens deve ter como meta inicial uma pequena parte da propriedade, em torno de 10%, devendo-se escolher a melhor área, pois dessa forma o retorno financeiro é mais rápido. Com o aumento da lotação nessas áreas, há uma folga no restante das pastagens da propriedade, o que favorece uma recuperação do pasto, no caso de pastagens em mau estado de conservação. Logo, a intensificação nessa pequena área trará reflexos positivos para toda a propriedade.

José Carlos Dubeux Júnior é professor do Departamento de Zootecnia da UFRPE

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