Recife, Terça-Feira, 10 de Março de 1998

Sarney quer influir no programa de FHC

Vanda Célia
DIÁRIO POLÍTICO
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"Reafirmo que apóio a decisão da convenção do PMDB", disse o senador José Sarney, falando do Amapá, onde se encontra desde ontem. Depois de ter defendido a tese do candidato próprio, derrotada no domingo, o ex-presidente acha que o melhor caminho é o definido pela maioria dos convencionais do PMDB.

"Venceu a reeleição, então darei meu apoio à tese", completou o senador.

É a primeira vez que Sarney apóia, de público, a tese da reeleição do presidente Fernando Henrique. O engajamento do ex-presidente, contudo, não é incondicional. "Me reservo o direito de discutir antes pontos do programa do candidato", informa o ex-presidente, manifestando o desejo de influir nas linhas a serem seguidas pelo governo num eventual segundo mandato de Fernando Henrique.

Sinal amarelo

O diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), José Roberto Souza Dias, está parecendo candidato. Ele não perde a oportunidade de falar que é amigo do presidente Fernando Henrique - a quem chama de "meu professor" - mas nunca cita o nome do seu superior direto, o ministro da Justiça, Iris Rezende. O pior é que Dias agora passou a receber comitivas de deputados estaduais em seu gabinete. A movimentação já causa ciumeira no grupo de Iris.

Último a saber

No Orçamento Geral da União, o Ministério do Planejamento inscreveu na conta de restos a pagar (despesas do ano passado que só serão pagas em 1998) cerca de R$ 1 bilhão. Nesta mesma rubrica, o MEC inscreveu apenas R$ 12,6 milhões.

Isto aconteceu, segundo avaliação do deputado Paulo Bernardo (PT-PR), porque as regras para estes pagamentos atrasados foram mudadas pelo pacote fiscal de novembro a fim de impedir gastos. Só que os ministérios da Fazenda e do Planejamento quebraram os limites impostos por eles mesmo. E, pelo visto, não contaram a novidade ao ministro Paulo Renato.

Estabilidade

Nos últimos cinco anos, o Incra teve uma dezena de presidentes. Agora, porém, parece ter entrado em clima de estabilidade. Milton Seligman completou ontem nove meses no comando do órgão. E deverá ficar por muito mais tempo. Afinal, não pretende se desimcompatibilizar para concorrer às eleições.

Hora de votar

Passada a convenção do PMDB, o presidente da Câmara, Michel Temer, quer retomar a votação da reforma da Previdência. "Faremos isto a partir de amanhã", avisou. No Senado, está marcada para esta quarta-feira a última etapa da votação da reforma administrativa.

E agora, Itamar?

Dono dos votos do PMDB em Minas, o prefeito de Contagem, Newton Cardoso, está fazendo suspense sobre o apoio a Itamar para a disputa do governo estadual porque sonha em ter o ex-presidente como candidato ao Senado. Para que ele, Newton, dispute o governo. Com Itamar na mesma chapa, Newton espera reduzir seus altos índices de rejeição. Se as pesquisas indicarem isto, ele deixará a prefeitura para enfrentar o governador Eduardo Azeredo do PSDB. Se os índices de rejeição persistirem, Newton deverá insistir para que o ex-governador Hélio Garcia (PTB) enfrente Azeredo. Assim, Itamar seria a última opção do prefeito.

Futuro melhor

Mesmo tendo registrado cenas desagradáveis de confronto entre militantes, a convenção do PMDB teve um ponto extremamente positivo: pela primeira vez - desde a morte do deputado Ulysses Guimarães em 1992 - o partido começou a reorganizar um núcleo de comando. Formado por Michel Temer (SP), Geddel Vieira Lima (BA), Henrique Alves (RN), Moreira Franco (RJ), Jáder Barbalho (PA), Eliseu Padilha (RS) e Iris Rezende (GO), este núcleo deverá reorganizar o PMDB e lutar, em 1998, para que o partido eleja de 8 a 10 governadores.

Nomeação

Representantes do Conselho Federal de Medicina estão indignados porque o general Ricardo Agnese Fayad ocupa o cargo de subdiretor de Saúde do Exército, o segundo mais importante na área no ministério. "Isso é uma afronta aos colégios éticos do país", diz Júlio Cézar Meirelles, secretário-geral do Conselho. Em 1995, o CFM confirmou a cassação do registro de Fayad, feita pelo Conselho do Rio de Janeiro. Oito ex-presos políticos reconheceram Fayad como o médico que os examinava nas dependências do DOI-CODI do Rio, onde eles foram torturados. Fayad conseguiu suspender provisoriamente a cassação na Justiça. E foi nomeado para o cargo de subdiretor pelo presidente Fernando Henrique no último dia 18.

Serviço ruim

Esta é para quem está fazendo a declaração do Imposto de Renda. Estudo da consultoria Arthur Andersen, entre 27 países pesquisados, mostrou que só dois - Hong Kong e Equador - possuem alíquota máxima de Imposto de Renda inferiores à brasileira. Isto quer dizer que o brasileiro, em comparação com os demais países, até paga pouco Imposto de Renda, só que recebe, em contrapartida, um dos piores serviços públicos do mundo.

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