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| Recife, Terça-Feira, 10 de Março de 1998 |
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Camisas Os camisas amarelas do PMDB governista são diferentes dos camisas marrons que forneciam a truculência nas primeiras manifestações nazistas nas ruas da Alemanha. Para começar, não estamos às vésperas de nenhum putsch hitlerista no Brasil, a não ser que o Efe Agá tenha mudado mais do que se pensa. Também não dá para imaginar que os camisas amarelas, contratados para enfrentar o MR-8 no braço e vaiar o Itamar na convenção do PMDB, tomem gosto e acabem transformados num grupo paramilitar com vida própria, como os S.A. na Alemanha. Principalmente porque a maior diferença entre os dois grupos é que enquanto os camisas marrons sabiam por que batiam, os camisas amarelas não tinham a menor idéia. Só estavam lá pelos seus bíceps e pelo cachê. O que não deixa de ser um alívio. Li que boa parte dos músculos mobilizados para garantir os governistas na convenção foi importada de Goiás pelo Íris Resende, talvez os mesmos que ele mandou vir para carregá-lo em triunfo quando foi nomeado ministro. Só foram fazer um trabalho,e fizeram. E parece que com competência, pois quem mais sangrou foi o MR-8. Melhor isso do que se vestissem a camisa amarela por um ideal, e tivessem que explicar o ideal. Assim você só precisa lamentar a violência na convenção como mais uma folclórica amostra do exagero brasileiro, achar apenas chato que o ministro da Justiça do seu país tivesse parte da responsabilidade por ela, e desejar que nada disto seja uma amostra do que nos espera nas eleições, senão não sei não. E não precisa fazer qualquer analogia com camisas marrons, ou sucumbir a qualquer presságio sombrio, paralelo descabido ou delírio. E no fim, não deixa de ser poeticamente justo que o apoio guerreiro à candidatura do Efe Agá fosse, também ele, pago. |
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